Os dados das contas externas mostraram que o Brasil recebeu bastante dinheiro de investidores estrangeiros em janeiro, principalmente em renda fixa e ações. No total, entrou um valor positivo alto (US$ 8,867 bilhões) porque investidores passaram a buscar mais países emergentes, como o Brasil, devido às incertezas sobre as políticas econômica, comercial e externa dos Estados Unidos.
No acumulado em 12 meses, o déficit em transações correntes, que contempla as balanças comercial, de serviços e de rendas, diminuiu, e os investimentos diretos no país (IDP) aumentaram. Isso ajudou a reduzir a pressão sobre as contas externas, mas o fato de o déficit nas três principais balanças ainda depender principalmente desses investimentos diretos impede uma melhora mais forte.
Alguns fatores (queda de -10,0% a/a das importações e -68,7% a/a nos serviços de transporte) mostram que a economia brasileira está apresentando sinais de desaceleração nesse começo de ano. Isso está alinhado com os objetivos de política monetária contracionista do Banco Central, que busca esfriar a economia para controlar a inflação. Além disso, esse arrefecimento da absorção doméstica ajuda a reduzir a pressão sobre o Real brasileiro vinda dos desequilíbrios externos e contribui para um fechamento do hiato do produto.