Em dezembro, o índice de preços ao consumidor norte-americano (CPI) veio em linha com o esperado pelo mercado (0,4% m/m, Bloomberg), registrando alta de 0,39% m/m (a maior taxa de variação mensal desde fev/24). Com isso, a inflação acumulada em 12 meses continuou a acelerar na ponta, saindo de 2,75% a/a para 2,89% a/a, vindo ao encontro das expectativas de mercado (2,9% a/a).
No que diz respeito ao núcleo da inflação (que exclui alimentos e energia), a variação mensal foi de 0,23% m/m, número esse que veio abaixo das estimativas dos analistas (0,3% m/m), mas bem próximo da nossa projeção de 0,24% m/m. Já na métrica em 12 meses, o núcleo da inflação arrefeceu um pouco em relação a novembro, avançando 3,24% a/a ante 3,32% a/a, resultado que surpreendeu positivamente o mercado (que esperava 3,3% a/a), assim como a nossa projeção de 3,24% a/a.
O principal destaque do mês de dezembro ficou por conta do grupo de energia que registrou alta de 2,6% m/m, sendo responsável por mais de 40% da alta do CPI cheio no mês. Dentro dessas categorias a principal contribuição veio do item de gasolina, cuja taxa de variação saiu de 0,6% m/m para 4,4% m/m.
Já ao nível do atacado, o Índice de Preços ao Produtor (PPI) de dezembro registrou uma alta de 0,22% m/m, vindo abaixo tanto do que nós projetávamos (0,30% m/m) como da mediana de mercado (0,4% m/m, Bloomberg). No acumulado em 12 meses, a taxa de variação saiu de 3,00% a/a para 3,31% a/a, número que veio um pouco abaixo da nossa projeção de 3,35% a/a, mas bem abaixo do esperado pelos analistas (3,5% a/a). Já o núcleo, que exclui os preços de energia e alimentos, ficou praticamente estável em dezembro (0,04% m/m), surpreendendo tanto a nossa projeção de 0,23% m/m como a do mercado (0,3% m/m). A métrica anual, por sua vez, foi na mesma direção, avançando 3,55% a/a quando esperávamos uma alta de 3,72% a/a e o mercado uma alta ainda mais robusta, de 3,8% a/a. Apesar dessas surpresas baixistas, as duas métricas do PPI em 12 meses apresentaram aceleração em relação a novembro, o que deve manter a pressão para repasse desses custos para os consumidores num futuro próximo.
Embora a divulgação do CPI de dezembro tenha trazido dados em linha com o esperado no índice cheio e uma surpresa baixista nos dados de núcleo, o processo de desinflação continua interrompido nessa segunda métrica e apresentou uma inflexão na primeira, com a inflação se afastando da meta de 2,0% pelo terceiro mês consecutivo. Nesse sentido, acreditamos que os dados mais recentes não dão margem para o Fed (banco central norte americano) promover novos cortes de juros no curto prazo.