Economia

Publicado em 24 de Março às 08:04:37

Fed preocupado com expectativas e Copom mais duro que o esperado

A semana passada tivemos as reuniões do Fomc, que define a taxa de juros na economia americana, e do Copom, que define a taxa de juros no Brasil. Em ambos os casos, não houve surpresa quanto à decisão. O Fomc manteve a taxa de juros entre 4,25% e 4,50% ao ano, enquanto o Copom aumentou a taxa SELIC em um ponto de porcentagem, para 14,25% ao ano, como havia prometido na reunião de dezembro de 2024. Entretanto, o discurso do Presidente do Fed, Jerome Powell e o comunicado que se seguiu à decisão do Copom, geraram alguma controvérsia.

No caso do do discurso de Powell, dois pontos preocuparam os investidores. Primeiro, a avaliação de que as tarifas que estão sendo introduzidas pelo Presidente Trump devem gerar alguma inflação, mas é um fenômeno “transitório”. Esta avaliação fez lembrar a mesma avaliação feita pelo Presidente do Fed quando da volta da pandemia do Covid 19. O que foi um erro. Afinal, após mais de quatro anos e uma politica monetária contracionista, a taxa de inflação do país ainda não voltou para a meta. O que mantém a política monetária contracionista.

O segundo ponto importante foi a preocupação com as expectativas para a inflação. Ainda que, a avaliação de Powell seja que as expectativas estão sob controle e não existe desancoragem de longo prazo, a menção ao tema, por si só, indica preocupação. Afinal, as expectativas para a inflação na pesquisa da Universidade de Michigan mostraram forte aceleração, tendo atingido 4,9% para um ano e 3,9% para cinco anos.

Já o comunicado do Copom veio em linha com as expectativas dos investidores, indicando novo aumento de juros na próxima reunião do Comitê, mas de menor magnitude. Entretanto, dois pontos chamaram a atenção. Primeiro, a afirmação de que começa a aparecer uma “incipiente moderação no crescimento da economia”. A introdução na frase da palavra “incipiente” indica que o Banco Central ainda tem dúvidas se a moderação no crescimento, algo indispensável para que a inflação caminhe em direção à meta,  é um fenômeno passageiro ou o início de uma tendência.

O segundo ponto é que o Copom não citou a valorização do Real neste início de ano, aproximadamente 7,5%, como um motivo de alívio na pressão inflacionária, o que sugere que, dada a grande volatilidade do movimento da taxa de câmbio, e o fato de que, em grande parte, a valorização do Real acompanhou a desvalorização do Dólar no mercado internacional, o Copom prefere esperar o comportamento da moeda nos próximos meses para incluir a valorização do Real como um fator importante de desinflação.

Ambos os comentários tornaram, a nosso ver, o comunicado mais duro do que o esperado.

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