Economia

Publicado em 05 de Fevereiro às 18:48:57

Economia norte americana continua a apresentar sinais de resiliência

Nos Estados Unidos, a divulgação dos Índices de Gerentes de Compras (PMI) do mês de janeiro medidos pela S&P Global surpreendeu os analistas. Enquanto as leituras preliminares apontavam para um PMI de serviços e composto de 52,8 e 52,4, o resultado final mostrou um cenário ainda mais favorável, de 52,9 e 52,7 respectivamente.

Somando-se a isso, o PMI industrial superou a previsão de neutralidade (50,0 pontos) e alcançou 51,2 em janeiro, na primeira expansão do setor nos últimos 7 meses, num sinal incipiente de recuperação da produção industrial norte americana depois de duas décadas de estagnação após a entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC). Esse dado é um bom sinal para o novo governo republicano, que deseja atrair indústrias para produzir em solo americano com o intuito de recuperar a parque industrial do país.

Em um cenário semelhante, os Índices de Gerentes de Compras (PMI) de serviços e industrial medidos pela métrica do Institute of Supply Management (ISM) também apresentaram comportamento similar, com o PMI de serviços registrando 52,8, permanecendo acima do patamar neutro de 50,0 pts, mas frustrando as expectativas de 54,0, enquanto o PMI industrial subiu a 50,9, superando as projeções de 49,5.

Esse resultado pode indicar o início do fim de uma tendência que se originou no período de abertura da economia após a pandemia de covid-19. Após meses de demanda reprimida por consumo de serviços no auge da pandemia, esse setor apresentou uma resiliência notável nos últimos anos enquanto o setor de bens passou por problemas estruturais e conjunturais após o fim da pandemia. Agora, com uma mudança da política econômica e muitos incentivos para a produção industrial se dar domesticamente nos EUA, esse setor pode colher bons frutos daqui em diante.

Adicionalmente, a divulgação de dados mais fortes do mercado de trabalho norte-americano contribuiu para reforçar as apostas de que o FED manterá os juros estáveis no atual intervalo (4,25-4,50% a.a.) durante boa parte desse ano. A pesquisa ADP, que mede a criação de empregos no setor privado, surpreendeu para cima e mostrou a criação de 183 mil postos de trabalho em janeiro, ante expectativa de 150 mil (Broadcast+). Ademais, o resultado do mês de dezembro sofreu uma revisão altista, de 122 mil para 176 mil. A métrica de salários também apresentou aceleração, saindo de 4,6% a/a para 4,7% a/a. Na mesma direção, os pedidos de auxílio-desemprego permaneceram em níveis baixos, caindo 16 mil na última semana de janeiro, a 207 mil ante previsão de 225 mil.

Com esse conjunto de dados apontando na direção de uma economia americana ainda aquecida, um payroll (criação de empregos em setores não-agrícolas) mais forte nessa sexta-feira (07/02) pode agir como catalizador para uma precificação mais assertiva por parte do mercado a respeito da condução da política monetária pelo FED nas próximas reuniões.

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