Economia

Publicado em 29 de Janeiro às 20:15:18

Fed interrompe ciclo de corte de juros nos EUA enquanto o Copom cumpre “guidance” e eleva a taxa Selic para 13,25% ao ano

Na tarde de ontem, o banco central americano (Fed) anunciou a manutenção da taxa básica de juros no intervalo entre 4,25-4,50% ao ano de maneira unânime. Apesar do resultado ter vindo amplamente em linha com o esperado pelo mercado, a comunicação trouxe surpresas ligeiramente mais duras do que o antecipado pelo mercado, refletindo a retirada de trechos que sinalizavam que o mercado de trabalho estava em arrefecimento e que a inflação estava progredindo em direção a meta de 2,0%.

Estas alterações sugerem que o Fed se mostra mais cauteloso em relação ao diagnóstico atual da economia, avaliando que a inflação segue em patamar elevado e o mercado de trabalho menos aquecido, porém ainda robusto. A necessidade de adoção de uma postura mais cautelosa, segundo o presidente do Fed, Jerome Powell, reflete os riscos de o processo inflacionário sofrer uma inflexão com cortes de juros precipitados em um contexto marcado por uma atividade econômica ainda robusta e riscos de curto prazo que permeiam a política tarifária, imigratória, fiscal e regulatória.

No caso brasileiro, o Copom cumpriu com o “guidance” dado em dezembro e elevou a taxa básica de juros (Selic) em 100 pontos base para 13,25% a.a. Como esperávamos, em vista da incerteza elevada, o comunicado afirmou que as decisões de juros após a próxima reunião de março serão dadas de acordo com evolução dos dados (“data dependent”).

O principal destaque do comunicado ficou por conta da adição, no balanço de riscos, da desaceleração da economia brasileira como um fator de baixa a inflação, o que acabou dando um teor mais “dovish” para o documento. Além disso, no parágrafo do comunicado que dizia respeito ao fiscal, houve a quebra do link entre a perda de credibilidade do Arcabouço Fiscal e uma dinâmica inflacionária mais adversa. Outro ponto que não foi devidamente ressaltado no comunicado foi a piora significativa das expectativas para os mais diversos prazos. Caso esses fatores em conjunto resultem numa reação ruim por parte do mercado, a divulgação de uma Ata mais “hawkish” na próxima terça-feira (04/02) pode ser uma estratégia a ser adotada pelo Copom para ajustar a comunicação, em linha com o que já foi feito no passado.

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