Na ata da reunião de 27–28 de janeiro de 2026, o Federal Open Market Committee (FOMC) decidiu manter a taxa de juros no intervalo de 3,50% a 3,75%, reforçando uma postura de cautela em meio a um ambiente econômico ainda marcado por incertezas. A decisão foi amplamente respaldada pelos membros, que avaliaram que, após os cortes acumulados no ano passado, o atual nível da taxa se encontra próximo das estimativas de neutralidade. Assim, a manutenção dos juros foi entendida como a melhor forma de preservar flexibilidade, permitindo que a autoridade monetária reaja com base na evolução dos dados, sem se comprometer prematuramente com novos ajustes.
No campo inflacionário, o comitê reconheceu avanços importantes desde os picos observados em 2022, mas destacou que a inflação permanece acima da meta de 2%. Parte dessa resistência decorre dos preços de bens industriais, ainda impactados por tarifas, enquanto os serviços – sobretudo os relacionados à habitação – seguem apresentando sinais mais consistentes de moderação. Embora a expectativa central seja de continuidade da trajetória de queda ao longo de 2026, os dirigentes enfatizaram que o ritmo desse movimento é incerto e possivelmente irregular. Esse quadro recomenda prudência e sustenta a avaliação de que manter a taxa no patamar atual é compatível com o objetivo de consolidar o processo de desinflação.
Em relação ao mercado de trabalho, os dados recentes sugerem estabilização após um período de desaceleração gradual. A taxa de desemprego tem se mantido relativamente estável, as demissões seguem em níveis baixos e, embora as contratações permaneçam contidas, não há evidências de deterioração abrupta. Parte dos membros ressaltou que os riscos negativos para o emprego diminuíram, ainda que não tenham desaparecido, especialmente em um contexto de incerteza econômica e transformação tecnológica. Esse equilíbrio – sem superaquecimento, mas também sem retração expressiva – reduz a pressão por cortes imediatos e reforça a estratégia de manutenção da política monetária.
A atividade econômica continua a se expandir em ritmo sólido, sustentada por consumo resiliente e investimentos robustos, especialmente em tecnologia e infraestrutura associada à inovação. Ganhos de produtividade também foram mencionados como fator de apoio ao crescimento. Ao mesmo tempo, o comitê segue atento a possíveis vulnerabilidades financeiras, como níveis elevados de preços de ativos e maior exposição a segmentos mais arriscados do mercado de crédito. Nesse contexto, a taxa atual é vista como suficientemente restritiva para conter pressões inflacionárias, sem comprometer de forma significativa o dinamismo da economia.
Diante desse conjunto de fatores, a sinalização predominante é de manutenção da taxa de juros no nível atual por um período prolongado. O comitê deixou claro que a política monetária não está em trajetória pré-definida, mas indicou que novos cortes dependerão de evidências mais claras e consistentes de que a inflação está convergindo de forma sustentada para a meta de 2%. Até que esse cenário se materialize, a estratégia deverá continuar pautada pela paciência, pelo monitoramento atento dos riscos e pela preservação de espaço para ajustes futuros, consolidando a perspectiva de estabilidade no curto prazo.
Avaliamos que a Ata da última reunião do Fed é consistente com o nosso cenário de que a Fed Funds rate permanecerá inalterada ao longo do primeiro semestre de 2026, com espaço para dois cortes que serão distribuídos entre o terceiro e quarto trimestres do ano.
