O banco central norte-americano (Federal Reserve) vai manter a taxa de juro (Fed Funds rate) inalterada no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano na reunião dessa quarta-feira (18/03), uma decisão amplamente esperada.
Novamente, a decisão não deve ser unânime, com a expectativa de pelo menos duas divergências a favor de um corte de 25 pontos base encabeçadas pelo diretor indicado recentemente pelo presidente Trump, Stephen Miran, e pelo membro do board do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), Christopher Waller (também indicado por Trump no seu 1º mandato em 2020). Um terceiro voto a favor de um afrouxamento monetário de 25 bps pode vir da vice-presidente do Conselho de Governadores do FED, Michelle Bowman.
O maior desafio do comunicado e da entrevista do presidente do FED, Jerome Powell, após a reunião será o de medir o impacto da eclosão do conflito no Oriente Médio no balanço de riscos do FED para o atingimento do mandato dual de emprego e inflação. Dado o elevado grau de incerteza quanto a duração a intensidade da guerra, ainda é difícil ter uma maior clareza de como será a evolução da taxa de inflação.
As duas últimas leituras do Índice de Preços ao Produtor (PPI) mostraram um quadro no qual o impacto das tarifas de importação ainda estão se fazendo sentir, principalmente após o esgotamento dos estoques que haviam sido acumulados ao longo do 1º trimestre do ano passado antes do anúncio das tarifas em abril/25. Caso os bens e serviços que estão tendo que ser importados agora a alíquotas alfandegárias mais altas se somem a uma elevação dos preços das commodities energéticas, podemos ver a inflação americana deixando de rodar no patamar atual próximo de 2,5% e voltando a girar em torno de 3,0%.
Ao somarmos isso com o fato de a atividade ter rodado em patamar significativamente mais fraco na virada do ano (após a segunda prévia do PIB do 4º trimestre de 2025 ter retirado 0,7 p.p. de crescimento na métrica trimestral anualizada) temos um quadro de maior dificuldade para o alcance dos objetivos de política monetária por parte do FED. O quadro só não é pior no momento (risco de estagflação) por conta de os dados econômicos referentes ao primeiro bimestre desse ano terem apontado no sentido de uma recuperação da atividade.
Não obstante, mesmo com todo esse cenário de fundo de maior incerteza global, ainda achamos que será possível o FED retomar o ciclo de corte de juros no final de 2026, num afrouxamento monetário agregado de até 50 pontos base entre os meses de setembro e dezembro, o que levaria a Fed Funds rate para 3,00-3,25% a.a.