Um ponto que despertou particular atenção em relação ao comunicado que se seguiu à reunião do Copom que decidiu por reduzir a SELIC em 0,25 pontos de porcentagem e o discurso do Presidente do Federal Reserve após a decisão do Fomc mantendo a taxa básica de juros dos Estados Unidos, foi a diferença entre o teor do discurso do Presidente do Federal Reserve, e o comunicado que se seguiu à decisão do Copom.
Discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, foi bastante duro, deixando claro que o comitê não apenas está muito incomodado com o fato de que a inflação estar acima da meta de 2,0% ao ano a cinco anos e, ao mesmo tempo, se mostrou bastante preocupado com os efeitos da guerra no Oriente Médio, em especial, os preços do petróleo e suas consequências sobre a taxa de inflação a nível global. Diante deste cenário, o Presidente indicou que os dirigentes do Fed chegaram a debater a possibilidade de elevar juros na próxima reunião do Fomc em abril.
Por outro lado, o comunicado do Copom deu especial ênfase à afirmação de que devido à manutenção de uma taxa de juros elevada durante um ano, gerou a desaceleração da atividade econômica que permitiu ao Copom reduzir a SELIC e indicar que a decisão é o início de um processo de “calibração” do nível da taxa de juros. Sem mencionar a aceleração da atividade no início de 2026. Apesar da palavra “calibração” indicar a possibilidade de ajustar para cima ou para baixo, no contexto da frase o entendimento dos investidores indicou nova redução na aproxima reunião.
Ao mesmo tempo, e ao contrário do discurso do Presidente do Fed, os efeitos da guerra no Oriente Médio foram pouco explorados pelo comunicado e a projeção do efeito do aumento dos preços do petróleo que já haviam ocorrido na data da reunião do Copom sobre a taxa de inflação no horizonte relevante da política monetária (0,1 p.p.), foi percebida por grande parte dos investidores como subestimada já neste momento.
