Economia

Publicado em 09 de Março às 21:24:16

Governo versus Banco Central: quem vai ceder?

Após alguns sinais de desaceleração da economia brasileira, queda da produção industrial, desaceleração do setor de serviços, queda das vendas no varejo e do índice de atividade do Banco Central (IBC-Br), mas dados ainda fortes do mercado de trabalho, com geração de empregos formais bem acima das expectativas e taxa de desemprego abaixo do esperado, o crescimento abaixo do esperado do Produto Interno Bruto (PIB) divulgado na semana passada tendem a reforçar os sinais de desaceleração da economia.

O PIB da economia brasileira mostrou crescimento de 3,4% em 2024, em relação a 2023, basicamente dentro das expectativas do mercado. Entretanto, na margem, ou seja, no quarto em relação ao terceiro trimestre de 2024, o crescimento do PIB desacelerou para 0,2%, bem abaixo das expectativas de crescimento de 0,4% no trimestre.

A desaceleração do quarto trimestre é um sinal importante e indispensável para permitir ao Banco Central interromper eventualmente o processo de aumento da taxa de juros para controlar a pressão inflacionária persistente.

A desaceleração ainda é lenta e bastante gradual, mas são os primeiros sinais de que a política monetária começa a fazer efeito sobre o nível de atividade.

Por outro lado, o governo já começa a se movimentar para implementar novos programas de transferência de renda (FGTS) e aumento da oferta de crédito para a população (Consignado para os trabalhadores do setor privado), o que poderá reverter a desaceleração antes que seus efeitos sobre os preços comecem a aparecer.

Esta disputa por liderança da política econômica entre o Banco Central que busca levar a inflação para a meta e o governo que tenta evitar uma desaceleração da atividade, a pergunta é quem vai ceder, o executivo ou o Banco Central, o que, na teoria econômica, pode levar um equilíbrio de Nash, onde todos perdem. Este é o dilema.

Acesse o disclaimer.

Leitura Dinâmica

Recomendações