As primeiras reações dos agentes do mercado financeiro foram bastante negativas, com aumento da incerteza, busca de segurança, valorização do Dólar e aumento das taxas de juros dos Treasuries. Após um começo de dia negativo, as bolsas reverteram a tendência de queda e os preços dos ativos financeiros mostraram melhora ao longo do pregão, ainda que mantendo o comportamento negativo.
Para o Brasil, a questão mais importante é como o fluxo de recursos no mercado financeiro global irá se comportar. O principal determinante do comportamento da taxa de inflação no país foi a valorização do Real frente ao Dólar. Este comportamento do Real foi uma consequência da mudança de direção dos recursos financeiros em direção aos países emergentes, gerada pelas incertezas decorrentes da política tarifária do Presidente Trump. Com isto, as moedas destes países, inclusive o Real, mostraram forte valorização ao longo de 2025/2026.
Como a apreciação do Real foi um dos principais determinantes da desinflação ocorrida na economia brasileira ao longo deste período, uma reversão da direção do fluxo financeiro global para fora dos emergentes pode parar a tendência à valorização do Real e, no limite, reverter pelo menos parte desta apreciação.
A combinação de aumento do preço do petróleo e fim do processo de apreciação do Real frente ao Dólar, poderá pressionar a taxa de inflação, diminuir a velocidade de redução da SELIC e aumentar o nível da taxa de juros no final do processo.
