Economia

Publicado em 16 de Março às 17:36:57

IBC-Br confirma retomada da atividade no início de 2026

O IBC-Br avançou 0,78% m/m em janeiro, praticamente em linha com o consenso de mercado, revertendo a queda observada no fim de 2025 e reforçando a leitura de que a economia brasileira começou o ano em recuperação. Na comparação interanual, porém, o indicador subiu 1,0% a/a, abaixo tanto do esperado pelo mercado quanto da projeção da casa. Ainda assim, o resultado é compatível com a avaliação de que os estímulos recentes à demanda vêm sustentando a atividade neste início de ano.

A abertura do dado mostrou um quadro qualitativamente construtivo. A agropecuária recuou 1,49% m/m, mas a fraqueza do setor foi mais do que compensada pela alta de 0,37% m/m da indústria e de 0,81% m/m dos serviços. Com isso, os serviços atingiram o maior nível da série histórica, enquanto o IBC-Br ex-agro subiu 0,86% m/m, também renovando máxima histórica. A média móvel trimestral desse núcleo saiu de 0,1% para 0,4%, sugerindo uma tendência de retomada da economia no 1T26.

Na nossa avaliação, o conjunto dos indicadores recentes – indústria, varejo e serviços – sugere que a parte mais cíclica da economia voltou a ganhar tração, revertendo sinais mais amplos de perda de dinamismo observados anteriormente. Esse processo deve contribuir para um arrefecimento gradual da atividade ao longo de 2026, em um ambiente ainda favorecido por mercado de trabalho aquecido e pelo ciclo eleitoral, que tende a sustentar a expansão de gastos públicos em diferentes esferas de governo. Nesse sentido, entendemos que os números de hoje dão suporte à nossa projeção de crescimento de 0,9% t/t da economia no primeiro trimestre de 2026.

Do ponto de vista de política monetária, o dado reforça a necessidade de um início de ciclo de afrouxamento mais cauteloso por parte do Banco Central. A reversão da desaceleração dos principais setores, combinada a uma dinâmica inflacionária menos benigna e ao aumento das incertezas externas após a escalada do conflito no Oriente Médio, recomenda maior serenidade no curto prazo. Ainda assim, entendemos que o resultado de janeiro, isoladamente, não impede o início dos cortes da Selic na reunião desta semana. A projeção mantida é de uma redução inicial de 25 bps, levando a taxa para 14,75% a.a., com Selic terminal de 12,0% no fim de 2026.

Acesse o disclaimer.

Leitura Dinâmica

Recomendações