A divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) referente ao mês de agosto mostrou uma expansão de 0,4% m/m, um crescimento ainda significativo, mas que acabou ficando aquém do consenso de mercado (0,7% m/m, Broadcast+).
Mesmo surpreendo para baixo, o resultado de agosto reverteu três meses consecutivos de contração desse indicador ao apresentar alta disseminada entre os setores analisados, exceto pela agropecuária.
A despeito disso, o número positivo não deve ser interpretado como um ponto de inflexão da economia para uma possível reaceleração na virada do 2º para o 3º trimestre, mas sim como a confirmação da perspectiva de arrefecimento gradual da atividade frente a um cenário macroeconômico que tem como plano de fundo uma política monetária bastante contracionista.
Um ponto que chamou bastante atenção foi o IBC-Br na sua abertura de impostos. O setor registrou a sua terceira queda consecutiva na métrica em 12 meses, saindo de -0,3% a/a para -1,9% a/a na passagem de julho para agosto. Em comparação com o mesmo período do ano passado, o IBC-Br de impostos apresentava altas de 9,0% a/a e 5,0% a/a, respectivamente.
Essa clara tendência de desaceleração na arrecadação de impostos decorrente da moderação do crescimento econômico impõe ainda mais dificuldades para o atingimento das metas fiscais do ano que vem num cenário que já era bastante desafiador por conta das incertezas envolvendo as novas medidas que o governo deve encaminhar para o Congresso após perda de validade da MP 1303.
Caso não consiga reestabelecer algumas das medidas arrecadatórias contidas nessa Medida Provisória até o final do ano, seja por meio de projetos de lei ou outros instrumentos, o governo pode se ver forçado a mudar a meta fiscal de 2026 (superávit de 0,25% do PIB), o que certamente desencadearia uma reação negativa dos mercados.
