O IBC-Br recuou 0,18% m/m em dezembro, desempenho melhor do que o esperado pelo mercado (-0,40% m/m) e por nós (-0,50% m/m). Apesar da queda no mês, o resultado apenas devolve parte do avanço acumulado em outubro e novembro, período em que o indicador havia subido 0,65%. Na comparação interanual, o crescimento de 3,1% a/a superou amplamente as estimativas, enquanto o acumulado de 2025 avançou 2,45%, desacelerando frente a 2024 (3,75%), mas ligeiramente acima do consenso. O conjunto dos dados sugere que o quarto trimestre foi marcado por expansão moderada da atividade.
As leituras setoriais do IBGE – indústria, serviços e varejo – já apontavam para perda de fôlego no fim do ano, e o IBC-Br confirma esse movimento. A recuperação observada ao longo do quarto trimestre ocorreu em ritmo contido, compatível com nossa avaliação de que o arrefecimento da economia brasileira vem se materializando de forma gradual, refletindo os efeitos defasados de uma política monetária significativamente contracionista.
Do ponto de vista da composição, o recuo de dezembro foi puxado pelos serviços (-0,26% m/m), que mais do que compensaram as altas da indústria (0,32% m/m) e da agropecuária (2,3% m/m). O IBC-Br ex-agro caiu 0,31% m/m, mas sua média móvel trimestral avançou 0,1%, reforçando a leitura de estabilidade no trimestre. Vale destacar que houve revisões positivas em outubro e novembro, levando o crescimento do 4T25 para 0,4% t/t, com carrego estatístico modesto para o início de 2026.
Em termos prospectivos, os dados reforçam nossa projeção de alta de 0,1% t/t do PIB no 4T25 e crescimento de 2,3% em 2025. A moderação da atividade segue consistente com um cenário de desaceleração gradual, sustentado pelo descasamento entre política monetária restritiva e política fiscal expansionista, além de um mercado de trabalho ainda resiliente.
Por fim, entendemos que o atual patamar da Selic está adequadamente calibrado para promover esse arrefecimento sem rupturas abruptas. Diante dos sinais de moderação, especialmente nos setores mais sensíveis ao crédito, mantemos a expectativa de início do ciclo de cortes em março, com redução inicial de 50 bps, e Selic encerrando 2026 em 12,0% a.a., ainda em território contracionista.
