Economia

Publicado em 17 de Março às 08:13:24

Impasse na política econômica

Os dados de atividade da economia brasileira continuam mostrando sinais de desaceleração. Queda da produção industrial, das vendas no varejo, do índice de atividade do Banco Central, o IBC-Br, do setor de serviços maior que a esperada e crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) abaixo do esperado, no quarto em relação ao terceiro trimestre de 2024. Todos os indicadores de atividade do quarto trimestre de 2024 mostraram desaceleração.

Por outro lado, os dados ainda sólidos do mercado de trabalho, geração de empregos formais bem acima das expectativas e estabilidade da taxa de desemprego, quando a sazonalidade aponta para aumento, indicam que esta desaceleração, se efetivamente está ocorrendo, é ainda tênue e gradual, incapaz de reverter a trajetória de aceleração da taxa de inflação.

Para que a desaceleração da atividade consiga ter um efeito desinflacionário importante, será necessário um mercado de trabalho menos apertado, capaz de reduzir a pressão sobre os preços dos serviços, cuja inflação, na margem (média móvel trimestral anualizada e dessazonalizada) tem caminhado acima de 6,0% ao ano. Além de reverter a trajetória de desvalorização cambial que persistiu ao longo de 2024 e, depois de breve trégua em janeiro, voltou a pressionar em fevereiro, o que afeta os preços dos alimentos, e exige uma política fiscal mais contracionista.

Neste contexto, manter a política monetária contracionista, é fundamental. Entretanto, sem a ajuda de uma política fiscal contracionista, a política monetária sozinha não conseguirá atingir este objetivo.

Entretanto, diante da perda de popularidade do Presidente Lula e a avaliação negativa do governo, os sinais já começam a apontar na direção oposta, ou seja, políticas fiscal e parafiscal expansionistas. O que geraria um impasse na condução da política econômica. O resultado é mais inflação e mais desemprego.

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