A Produção Industrial Mensal (PIM) registrou recuo de 0,3% m/m em dezembro, surpreendendo positivamente o consenso de mercado que esperava uma queda ainda mais acentuada. Apesar disso, a indústria registrou o terceiro mês consecutivo de queda, levando a média móvel trimestral a um recuo de 0,4% em dezembro e a uma queda acumulada de 1,2% no 4º trimestre de 2024 (-0,2% m/m em outubro, -0,7% m/m em novembro e -0,3% m/m em dezembro), confirmando as expectativas de arrefecimento da economia brasileira no período. Um resultado negativo dessa magnitude não ocorria desde o 1º trimestre de 2021, ainda sob os efeitos da pandemia de covid-19.
Na comparação interanual, a indústria registrou expansão de 1,6% a/a, desacelerando marginalmente em relação ao mês de novembro (1,7% a/a). Com esse resultado, a produção industrial encerrou o ano de 2024 com uma alta de 3,1%. Ademais, a alta da produção em 2024 foi bem disseminada, com todas as 4 grandes categorias econômicas e 20 dos 25 ramos industriais apresentando crescimento.
De modo geral, o cenário observado no último trimestre do ano passado contrasta com o resultado agregado da indústria em 2024, que teve o seu melhor ano desde 2021 e um dos melhores em mais de uma década.
Por ser um setor intensivo em capital, a retomada do ciclo de aperto monetário por parte do banco central brasileiro a partir de setembro, junto com a forte depreciação cambial, foram os principais fatores que pesaram para um 4º trimestre ruim para a indústria. Nesse sentido, a continuidade desse cenário também em 2025, somado a pressões inflacionárias crescentes, deve contribuir para a manutenção das condições que impõe desafios a indústria brasileira.
Por outro lado, a continuidade da ação de fatores que foram vetores positivos para a indústria em 2024 (impulso fiscal, mercado de trabalho robusto e forte crescimento da massa salarial), embora em menor magnitude, devem fornecer algum suporte para o setor também em 2025.