Economia

Publicado em 12 de Fevereiro às 19:03:14

Inflação alta nos EUA coloca pressão sobre o Fed

A forte alta de várias métricas de inflação em janeiro deve deixar o Fed (banco central norte americano) sob pressão daqui em diante. O avanço de 0,5% m/m do índice de preços ao consumidor (CPI) levou o cômputo em doze meses a alcançar 3,0% a/a, superando as estimativas do mercado (2,9% a/a).

No que diz respeito ao núcleo da inflação (que exclui alimentos e energia), a variação mensal de janeiro também veio bem acima do esperado (0,3% m/m), avançando 0,45% m/m. Já na métrica anual, o núcleo da inflação voltou a acelerar, avançando 3,26% a/a ante 3,24% a/a, resultado que surpreendeu negativamente o mercado, que esperava uma redução para 3,1% a/a.

O principal destaque ficou por conta do item de carros e caminhões usados, que saltou de 0,8% m/m para 2,2% m/m na passagem de dezembro para janeiro. Essa categoria foi uma que apresentou fortes altas durante os anos da pandemia de Covid-19 devido aos problemas que acometeram as cadeias globais de oferta naquele período como o fechamento de portos e a escassez de chips. Agora, essa alta parece estar mais relacionada a antecipação de consumo desses bens duráveis em vista da expectativa de encarecimento futuro em decorrência da imposição de tarifas de importação, o que acaba respingando sobre o mercado de veículos usados.

Já para o Índice de Preços ao Produtor (PPI) de janeiro que será divulgado nessa quinta-feira (13/02), projetamos uma variação de 0,26% m/m e 3,16% a/a para o PPI cheio e de 0,27% m/m e 3,27% a/a para o núcleo. Como divulgado no último Livro Bege (relatório sobre a situação econômica dos EUA), a intenção dos empresários é a de repassar completamente para o consumidor final qualquer eventual aumento de custos que vier a ocorrer por conta da imposição de tarifas de importação pelo novo governo Trump. Em vista disso, o PPI deve atuar como um bom indicador antecedente para o CPI, de modo que devemos observar um quadro de inflação pressionada nesse 1º trimestre do ano, semelhante ao visto no mesmo trimestre do ano passado.

Por fim, achamos que o efeito colateral desse dado ruim do CPI de janeiro, somado a desancoragem adicional das expectativas de inflação, pode não apenas ser o de uma interrupção prematura do ciclo de afrouxamento monetário nos EUA, mas também despertar o debate sobre a necessidade de o Fed voltar a aumentar a taxa de juros mais à frente.

Acesse o disclaimer.

Leitura Dinâmica

Recomendações