O IBGE divulgou hoje o IPCA-15 de março, que avançou 0,44% m/m, significativamente acima da nossa projeção de 0,29% m/m, que também era a expectativa do mercado. Apesar da maior volatilidade do indicador, sobretudo por conta de passagens aéreas, o qualitativo foi um pouco pior, e que se juntando com a leitura mais negativa do IPCA de fevereiro (0,70% m/m), aponta para uma deterioração da inflação na margem.
Os destaques vieram de alimentação e serviços. Alimentação no domicílio avançou 1,10% m/m (vs. 0,66% esperado), enquanto serviços registraram alta de 0,49% m/m (vs. 0,22% m/m). Embora o qualitativo de serviços não tenha sido particularmente negativo nesta leitura, o grupo segue rodando próximo de 6,0% em 12 meses, ainda sem sinais claros de arrefecimento.
A surpresa altista foi novamente concentrada em passagens aéreas, item volátil e de difícil projeção. Excluindo esse efeito, estimamos que o headline teria ficado em torno de 0,33% m/m, o que ainda sugere alguma piora na dinâmica subjacente, especialmente em alimentos.
Por fim, o dado ainda não contempla a recente alta nos preços de gasolina observada nas coletas da ANP. Em um contexto no qual o Banco Central vinha destacando leituras mais benignas na margem como um vetor positivo, a combinação de choques recentes, incluindo potenciais efeitos indiretos do conflito no Oriente Médio nas cadeias de produção, sugere um ambiente que merece maior atenção à frente, especialmente para 2026.
