As surpresas baixistas apresentadas tanto pelo Índice de Preços ao Produtor (PPI) de novembro como pelo Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de dezembro, embora tenham fornecido algum alívio nos números de inflação, não configuram dados plenamente confiáveis para o banco central norte americano (Federal Reserve) voltar a cortar a taxa de juros por conta do efeito base do período no qual a máquina federal ficou paralisada (shutdown).
A inflação ao produtor exibiu um headline de 0,2% m/m ante expectativa de avanço de 0,3% m/m, enquanto o núcleo ficou estável ante perspectiva de alta de 0,2% m/m. No acumulado em doze meses a inflação avançou 3,0% a/a em ambas as métricas.
A inflação ao consumidor apresentou uma variação cheia de 0,31% m/m e 2,68% a/a em dezembro, ambas em linha com o consenso de mercado, mas a métrica de núcleo, que exclui alimentos e energia, avançou apenas 0,24% m/m e 2,64% a/a (aquém dos 0,3% m/m e 2,7% a/a esperados).
Essa discrepância entre os números do PPI e do CPI pode perdurar dado que os insumos continuam ainda como os itens mais vulneráveis às tarifas de importação e pelo fato de que o repasse para o nível do consumidor não deve ocorrer de forma integral.
Todos esses fatores em conjunto, aliados com a escalada dos embates entre o governo e o FED devem reforçar a postura de cautela da autoridade monetária nesse início de ano, com os juros sendo mantidos inalterados no 1º trimestre. A despeito disso nos mantemos otimistas com a economia americana em 2026, com os dados do Livro Bege (divulgação que mede as condições econômicas de momento nos 12 distritos da economia dos EUA) de dezembro divulgados nessa quarta-feira (14/01) confirmando a boa perspectiva econômica para o ano.