Economia

Publicado em 27 de Março às 14:01:27

Mercado de trabalho forte sustenta cautela do Banco Central

O mercado de trabalho brasileiro segue demonstrando elevada resiliência. De acordo com o IBGE, a taxa de desemprego no trimestre móvel encerrado em fevereiro de 2026 foi de 5,8%, ligeiramente acima do esperado pelo mercado e por nossas projeções (5,7%). Apesar da alta na margem – explicada, em grande parte, pela sazonalidade desfavorável do início do ano -, o indicador recua 1,0 p.p. na comparação interanual, atingindo o menor nível da série histórica para trimestres móveis encerrados em fevereiro. Na série com ajuste sazonal, a taxa avançou marginalmente para 5,5%, permanecendo em patamar historicamente baixo.

Os dados reforçam nossa leitura de que o mercado de trabalho deve permanecer robusto ao longo de 2026, com um processo de arrefecimento apenas gradual. Esse comportamento reflete, em nossa avaliação, o descasamento entre as políticas monetária e fiscal, além de fatores estruturais – como o avanço do trabalho por aplicativos e o envelhecimento populacional – que contribuem para manter a taxa de desemprego abaixo do nível neutro. Para os próximos meses, indicadores antecedentes sugerem uma moderação lenta, com leve alta da desocupação na margem, mas ainda dentro de um contexto de mercado de trabalho apertado.

Nossos modelos indicam que a taxa de desemprego deve atingir cerca de 6,0% no próximo trimestre móvel, refletindo principalmente efeitos sazonais. Ainda assim, na série dessazonalizada, a taxa deve apresentar leve recuo. Para o ano de 2026, mantemos a projeção de uma taxa média de 6,1%, ainda significativamente abaixo do nível neutro. Esse cenário sugere que, embora haja algum ajuste à frente, o mercado de trabalho seguirá sustentando um crescimento robusto dos rendimentos reais.

Por fim, os rendimentos continuam sendo um dos principais vetores de sustentação da demanda doméstica. O rendimento médio real atingiu novo recorde histórico, com crescimento relevante tanto na margem quanto na comparação anual, enquanto a massa de rendimentos segue avançando em ritmo elevado. Esse quadro reforça a leitura de que o mercado de trabalho permanece como um fator de pressão para a inflação, contribuindo para que o Banco Central mantenha uma postura cautelosa, ainda que compatível com a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário de forma gradual.

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