O Banco Central divulgou os dados do fluxo cambial entre os dias 16 e 20 de dezembro. Nesse sentido, foi registrada uma saída de US$ 11,6 bi no período, resultante de um ingresso líquido de US$ 504,0 milhões na conta comercial, enquanto a conta financeira registrou saída líquida de US$ 12,1 bilhões. Com este resultado, no acumulado no mês até o dia 20 de dezembro, o fluxo cambial foi negativo em US$ 18,4 bi, de modo que, no ano, registra-se uma saída líquida de US$ 10,0 bilhões (-US$ 76,6 bilhões de fluxo financeiro e +US$ 66,5 bilhões de fluxo comercial).
Nesse cenário marcado por uma forte pressão de saída de divisas, o Banco Central optou, a partir do dia 13 de dezembro, por realizar leilões de dólares no mercado à vista. Até a tarde de ontem, o BC vendeu US$ 19,8 bilhões de dólares no mercado à vista, em uma tentativa de ofertar mais liquidez ao mercado e, consequentemente, reduzir, ainda que parcialmente, a pressão sobre a cotação do dólar. Cabe destacar que as vendas representam cerca de 5,6% das reservas cambiais totais (US$ 353,0 bilhões no final de nov/24) e cerca de 8,0% das reservas cambiais líquidas (US$ 247,8 bi no final de nov/24).
Apesar da expressiva atuação no mercado cambial, o câmbio saiu de R$ 6,06 para R$ 6,17 no período entre o dia 13 de dezembro e o meio da tarde de ontem, sinalizando que a atuação do BC não conseguiu evitar uma desvalorização de 1,9% do câmbio.
Em um contexto marcado por uma forte descrença em relação à política fiscal conduzida pelo atual governo, fica cada vez mais evidente que investir no Brasil é um esporte de altíssimo risco. Sob a perspectiva de que o processo de deterioração fiscal não seja revertido no curto prazo, a tendência é que o fluxo de saída continue nos próximos meses. Nesse contexto, a atuação no mercado cambial para conter a desvalorização deve ter um efeito inócuo sobre a cotação do dólar, sendo apenas responsável por reduzir as reservas cambiais brasileiras, isto é, desinflar nosso colchão contra choques externos.