Economia

Publicado em 02 de Janeiro às 18:26:35

O desafio chinês persiste

Os dados da economia chinesa sugerem que a crise imobiliária segue impondo desafios para o crescimento nos próximos trimestres. Os números referentes ao mês de novembro reforçam o diagnóstico que a demanda doméstica segue bastante anêmica, refletindo o baixo nível de confiança doméstica.

Por um lado, a produção industrial registrou alta de 5,4% a/a, acelerando em relação ao número registrado em outubro (5,3% a/a) e ficou em linha com o consenso de mercado. Assim como nos meses anteriores, o destaque ficou por conta da produção de itens ligados à alta tecnologia e voltados para a exportação, como veículos, equipamentos eletrônicos e contêineres.

Por sua vez, as vendas no varejo desaceleraram o seu ritmo de crescimento para 3,0% a/a, ante 4,8% a/a em outubro, frustrando significativamente o consenso de mercado que tinha como expectativa uma alta de 5,0% a/a no mês. Cabe destacar que a desaceleração no mês foi concentrada no desempenho mais fraco de atividades mais ligadas ao consumo discricionário (vestuário e calçados, jóias, e cosméticos, por exemplo) registraram fortes quedas nas vendas do mês.

Em um contexto marcado pela volta do ex-presidente Donald Trump à presidência dos EUA, a sustentabilidade do modelo de crescimento econômico voltado para as exportações é posta em xeque. O aumento do protecionismo econômico através da imposição de tarifas às importações de produtos chineses deve provocar uma perda de dinamismo do setor industrial chinês.

Nesse cenário, esperamos que o governo chinês siga promovendo a flexibilização da sua política monetária ao longo de 2025, com mais 25 bps de corte na taxa básica de juros e uma flexibilização total de 100 bps na taxa de compulsório bancária. Entretanto, entendemos que essas medidas serão insuficientes para evitar uma desaceleração da economia que deve sair de um crescimento de 4,8% em 2024 para 4,3% em 2025.

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