Economia

Publicado em 27 de Janeiro às 18:29:52

O que esperar do próximo Copom

A piora dos dados de inflação, tanto na esfera quantitativa como qualitativa, a atividade econômica aquecida (com hiato positivo), e um mercado de trabalho que se mostra bastante apertado em diversas métricas se mantém a despeito da retomada do ciclo de aperto monetário por parte do banco central em setembro do ano passado.

Além dos dados correntes, as expectativas de inflação seguem desancorando para os prazos mais diversos, refletindo, na nossa avaliação, o descasamento entre as políticas monetária e fiscal, sobretudo a perda de credibilidade da última.

Sob a expectativa de que o governo não promoverá um ajuste fiscal que venha a afetar as políticas de transferência de renda e de impulso a demanda, avaliamos que haveria espaço para o banco central brasileiro ser ainda mais agressivo no ritmo de aperto monetário como forma de promover a ancoragem das expectativas.

Entretanto, dada as falas mais recentes do presidente, Gabriel Galípolo, que reforçou a sua intenção de se manter fiel ao “guidance” da reunião de dezembro, avaliamos que o mais provável é que as reuniões de janeiro e março sejam marcadas por altas de 100 pontos base, levando a taxa Selic a atingir o patamar de 14,25% a.a., com a abordagem mais dependente dos dados (“data dependent”) voltando a prevalecer nas reuniões subsequentes em vista do elevado grau de incerteza que permeia o cenário.

No que tange a situação fiscal, avaliamos que a autarquia deve reforçar o tom adotado nas últimas reuniões, sinalizando que a percepção dos agentes sobre o cenário econômico tem afetado os prêmios de risco e a taxa de câmbio de maneira significativa no período entre reuniões.

Dessa forma, avaliamos que o colegiado deve sinalizar que o cenário marcado por uma forte deterioração dos fundamentos demanda uma postura mais cautelosa por parte da autoridade monetária.

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