Apesar da continuidade do conflito no Oriente Médio, inclusive com a intensificação de bombardeios por parte dos EUA e de Israel, os ativos de risco se beneficiaram ao longo do dia de ontem. As especulações em relação à duração do conflito e a possibilidade de liberação de reservas estratégicas de petróleo fizeram com o barril recuasse para próximo de US$ 80,0, após ter registrado avanço para US$ 120,0 nas primeiras horas do pregão das bolsas asiáticas da última segunda-feira.
As recentes falas do presidente americano Donald Trump de que a operação militar estaria bem à frente do seu cronograma, reduziu as apostas do mercado de que o conflito poderia se estender a meses, podendo gerar impactos mais duradouros sobre as cadeias globais de produção e suprimento de petróleo. Além disso, outras falas envolvendo a possibilidade de a marinha americana escoltar navios petroleiros e retirar, ainda que parcialmente, às sanções impostas ao petróleo russo trouxeram alívio ao mercado que passou a incorporar a possibilidade de uma maior oferta no curto prazo.
Além disso, países do G7 solicitaram à Agência Internacional de Energia a preparação de estudos com cenários de liberação das reservas emergenciais de petróleo. Embora não haja liberação dessas reservas no atual patamar de petróleo, o movimento sinaliza uma certa busca por prontidão por parte desses países para evitar que o conflito se traduza em uma escalada mais significativa da commodity. Por fim, indicadores de tráfego marítimo no estreito de Ormuz apontam para uma volta, ainda que bem incipiente, do fluxo de navios petroleiros na região, contribuindo para derrubar a cotação do barril ao longo da sessão de ontem.
Mesmo diante desses sinais mais positivos desde a última segunda feira, seguimos acompanhando os desdobramentos no Oriente Médio com bastante cautela. A estratégia que o Irã vem apresentando de atacar alvos econômicos nos países ao redor do golfo pode gerar impactos bastante duradouros, principalmente se a infraestrutura de produção de petróleo for atingida de maneira significativa, gerando impactos sobre a inflação das principais economias ao redor do globo que perdurariam mais do que o próprio conflito em si.
