Economia

Publicado em 03 de Março às 15:54:31

PIB confirma arrefecimento da economia no final de 2025

O PIB brasileiro avançou 0,1% t/t no 4T25, em linha com as expectativas, encerrando 2025 com crescimento de 2,3%. Apesar da manutenção do nível recorde da série com ajuste sazonal e da expansão de 1,8% a/a no trimestre, a composição do resultado revelou sinais mais claros de enfraquecimento da demanda doméstica. O crescimento foi sustentado sobretudo pelo setor externo e pelo consumo do governo, enquanto as componentes mais sensíveis ao ciclo interno mostraram perda de tração no final do ano.

Pela ótica da demanda, o dado mais relevante foi a retração expressiva de 3,5% t/t da formação bruta de capital fixo, acompanhada pela estabilidade do consumo das famílias (0,0% t/t), desempenho inferior ao esperado. No acumulado de 2025, o consumo avançou apenas 1,3%, desacelerando de forma significativa frente aos 5,1% observados em 2024, mesmo em um contexto de mercado de trabalho ainda resiliente e medidas de estímulo à renda. Esse movimento sugere que os efeitos defasados da política monetária restritiva e o elevado endividamento das famílias passaram a exercer impacto mais evidente sobre a dinâmica da atividade.

Embora a FBKF tenha crescido 2,9% no ano, o resultado foi influenciado por fatores específicos, como a importação de plataformas de petróleo e o desempenho da construção, enquanto segmentos ligados à produção de bens de capital permaneceram fragilizados. A taxa de investimento recuou para 16,0% do PIB no 4T25, abaixo do patamar observado um ano antes, reforçando a leitura de moderação do ciclo doméstico. A queda da taxa de poupança para 11,0% no trimestre também indica menor espaço para expansão sustentada da demanda interna.

Do lado da oferta, a resiliência da agropecuária e dos serviços compensou parcialmente a retração da indústria, mas o desempenho industrial segue refletindo os efeitos da política monetária contracionista. Em conjunto, os dados apontam para um cenário de arrefecimento gradual da economia, com enfraquecimento das componentes privadas da demanda e maior dependência do setor externo e do gasto público para sustentar o crescimento.

Nesse contexto, revisamos preliminarmente nossa projeção de crescimento do PIB em 2026 de 2,1% para 2,0% e reduzimos a estimativa para o 1T26 de 1,1% para 0,9% t/t. O carrego estatístico de apenas 0,2% para o próximo ano reforça a percepção de moderação do ciclo. Avaliamos que esse ambiente de desaceleração gradual da demanda doméstica contribui para elevar a confiança do Copom na convergência da inflação, sustentando nossa expectativa de início do ciclo de afrouxamento monetário na reunião de março.

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