Economia

Publicado em 26 de Fevereiro às 16:35:24

Pode desacelerar, mas nem tanto

Os dados do Caged divulgados na manhã de ontem surpreenderam o mercado ao registrar uma criação líquida de 137,3 mil postos de trabalho formais, significativamente acima do número projetado pelo mercado (50,5 mil Broadcast+). Em relação ao mesmo período do ano anterior, após ajustes feitos por conta das declarações fora do prazo, a diferença entre saldos foi de -35,9 mil vagas, isto é, um recuo de 20,7% a/a na comparação interanual.

Na nossa avaliação, os números de janeiro corroboram a nossa expectativa de que a economia brasileira passará por um processo de desaceleração bem gradual ao longo de 2025, fazendo com que a atividade econômica ainda se mantenha robusta apesar do nível de contração da política monetária. Dessa forma, seguimos projetando que a economia brasileira deve desacelerar de um ritmo de crescimento de 3,5% (a ser confirmado na próxima semana) em 2024 para algo próximo de 2,0% em 2025.

Nesse contexto, esperamos que a taxa de desemprego média saia de 6,9% para 7,1% da força de trabalho, um aumento bastante moderado dada a expectativa de que a Selic se eleve para 15,0% ao final do ciclo de alta de juros e permaneça neste patamar até o final de 2025.

Entretanto, dada a significativa queda na popularidade do governo nas últimas semanas, avaliamos como crescente o risco de que o governo resolva “dobrar a aposta” a fim de evitar ao máximo qualquer desaceleração da economia que possa agravar a sua popularidade.

Durante a coletiva de imprensa dos dados do Caged de janeiro, o Ministro do Trabalho, Luiz Marinho, reforçou os receios de que o governo adote novas medidas populistas para combater a queda da popularidade, avaliando ser uma “imbecilidade” inibir crescimento econômico para controlar a inflação.

Dessa forma, por mais que uma desaceleração seja “bem-vinda” para fins de convergência da inflação para a meta, a antecipação do ciclo eleitoral de 2026 faz com que o governo central busque evitar ao máximo que ocorram eventos que abalem a sua popularidade como uma desaceleração mais significativa da economia ou até mesmo uma aceleração inflacionária. Acreditamos que o governo tentará se equilibrar diante desse paradoxo. Ou seja, a economia pode desacelerar, mas nem tanto.

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