O tão aguardado “Liberation Day”, como acabou ficando conhecido o dia do anúncio da imposição de tarifas de importação por parte dos Estados Unidos, acabou surpreendendo positivamente.
A administração Trump acabou por não seguir o princípio da reciprocidade tarifária à risca, preferindo tarifas recíprocas descontadas correspondentes a aproximadamente metade do valor cobrado pelos outros países sobre os bens e serviços norte-americanos (levando em conta manipulações cambiais e outras barreiras ao comércio), limitadas a um patamar mínimo de 10%.
Os principais destaques ficaram por conta das nações que mais exportam bens e serviços para os EUA. Sobre a China, maior rival geopolítico, incidirá uma tarifa adicional de 34%. Outros países do sul e do sudeste asiático que exportam muitos produtos eletrônicos e de vestuário para os EUA como Vietnã, Taiwan, Tailândia, Indonésia, Malásia, Camboja, Bangladesh, Filipinas e Sri Lanka pagarão tarifas de 46%, 32%, 36%, 32%, 24%, 49%, 37%, 17% e 44%, respectivamente.
Os aliados ocidentais mais relevantes também não foram poupados, com destaque para o caso da União Europeia, que além de ser muito impactada com as tarifas de 25% sobre automóveis, terá todas as suas exportações para os EUA taxada em 20%. Já a Coreia do Sul, o Japão e Israel pagarão tarifas de 24%, 25% e 17%, respectivamente.
O Brasil, fortuitamente, ficou no grupo de países que foi impactado pela alíquota mínima de 10%, junto com outros fortes aliados dos EUA como o Reino Unido, Cingapura, Chile, Austrália e Nova Zelândia.
A despeito dessa surpresa positiva para o caso brasileiro, as maiores vantagens podem ser colhidas nos efeitos secundários, com a boa situação relativa do Brasil podendo se refletir em ganho de “market share” das exportações do país no mercado global. Adicionalmente, o “timing” é benéfico dado o mau momento vivido pela balança comercial brasileira, que vem pesando sobre o saldo em transações correntes.