Após a euforia com o resultado da pesquisa de opinião mostrando a queda acentuada da aprovação do governo, os mercados parecem ter voltado à normalidade hoje: redução menos intensa das taxas de juros, valorização das ações e estabilidade da taxa de câmbio.
Ao mesmo tempo, apesar da política monetária bastante contracionista, das elevadas taxas de juros e das promessas de aumento destas taxas, as expectativas para a inflação continuam a descolar da meta de 3,0% ao ano, atingindo níveis acima do limite superior do intervalo de metas.
Por outro lado, os sinais de desaceleração da economia começam a aparecer. No quarto trimestre de 2024, tivemos queda da produção industrial, queda dos serviços e das vendas no varejo. O IBC-Br, índice calculado pelo Banco Central que pretende antecipar o comportamento do PIB, mostrou queda de – 0,75% em dezembro em relação a novembro e no quarto em relação ao terceiro trimestre de 2024.
A pergunta é se esta desaceleração é uma tendência, que irá, eventualmente, reduzir a pressão inflacionária, ou um ruído que irá se reverter no futuro próximo. As decisões do Banco Central quanto à taxa SELIC a partir da reunião do Copom de maio darão a resposta a esta pergunta.