Economia

Publicado em 12 de Março às 18:38:45

Surpresa baixista do CPI norte americano não deve mudar quadro de inflação pressionada no médio prazo

Em fevereiro, o índice de preços ao consumidor norte-americano (CPI) veio abaixo do esperado pelo mercado (0,3% m/m, Bloomberg), registrando alta de 0,22% m/m. Com isso, a inflação acumulada em doze meses registrou a primeira desaceleração dos últimos cinco meses, saindo de 3,00% a/a para 2,82% a/a, ficando aquém das estimativas do mercado (2,9% a/a).

No que diz respeito ao núcleo da inflação (que exclui alimentos e energia), a variação mensal foi de 0,23% m/m, número esse que veio abaixo das estimativas dos analistas (0,3% m/m). Já na métrica em 12 meses, o núcleo da inflação arrefeceu um pouco em relação a janeiro, avançando 3,12% a/a ante 3,26% a/a, resultado que surpreendeu positivamente o mercado (que esperava 3,2% a/a).

O principal destaque do mês de fevereiro continuou por conta dos aluguéis (Shelter), que foram responsáveis por cerca da metade da alta do CPI cheio no mês. Por outro lado, os itens de passagens aéreas (-4,0% m/m) e gasolina (-1,0% m/m) foram fatores importantes para moderar a inflação no período.

A inflação de alimentos, cujos preços vinham incomodando bastante as famílias americanas e sendo fator de preocupação para o governo, desacelerou em fevereiro, saindo de 0,4% m/m para 0,2% m/m. Esse movimento se deveu totalmente a alimentação no domicílio (0,0% m/m, ante 0,5% m/m), uma vez que a alimentação fora do domicílio registrou aumento da taxa de variação dos seus preços de 0,2% m/m para 0,4% m/m.

Em relação ao Índice de Preços ao Produtor (PPI) de fevereiro que será divulgado nessa quinta-feira (13/03) esperamos uma variação de 0,32% m/m e 3,31% a/a para o PPI cheio e de 0,23% m/m e 3,53% a/a para o núcleo.

Caso essa nossa projeção para o PPI se confirme, o número mais benéfico do CPI de fevereiro deve configurar um alívio sobre a taxa de inflação apenas no curto prazo, mas que não deve se traduzir em uma retomada mais vigorosa do processo de desinflação no médio prazo, uma vez que pesquisas recentes com os empresários já registraram que a intenção deles é a de repassar completamente para o consumidor final qualquer eventual aumento de custos que vier a ocorrer por conta da imposição de tarifas de importação.

Soma-se a isso o fato de que a formação de uma poupança precaucional por parte das famílias, como visto nos últimos dados do PCE (personal consumption expenditures), pode vir a se transformar em consumo futuro quando a incerteza acerca da política tarifária do novo governo se dissipar, o que deve ser mais um fator a não permitir um arrefecimento mais considerável da inflação no médio prazo.

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