Os dados das contas externas brasileiras de dezembro mostraram uma surpresa positiva na balança comercial, que registrou um superávit de US$ 8,8 bilhões, mais do que o dobro dos US$ 4,1 bilhões registrados no mesmo mês de 2024. Isso contribuiu para que a balança comercial encerrasse o ano de 2025 com um superávit de R$ 60,0 bilhões. Em relação a tendência de médio e longo prazo, a balança comercial deve seguir superavitária nos próximos anos na esteira do aumento considerável da produção de petróleo em território nacional.
Os investimentos em carteira no mercado doméstico, que somam as contribuições provenientes de ativos de renda fixa, ações e fundos, apresentaram resultado líquido positivo de US$ 3,9 bilhões em dezembro. Esse influxo ocorreu a despeito de um cenário no qual a métrica o “Carry to Vol” deixou o patamar excepcionalmente favorável que se encontrava ao longo de boa parte de 2025, com a volatilidade do real voltando a aumentar por conta do cenário eleitoral.Por outro lado, o resultado cheio do ano (US$ 15,3 bilhões) ainda teve como principal fator determinante o elevado diferencial de juros, que contribuiu, junto com a deflagração da guerra tarifária dentro de um cenário mais amplo de uma política econômica errática pelos EUA, para atrair recursos externos para o Brasil.
Já na conta financeira, o Investimento Direto no País (IDP) totalizou saídas líquidas de US$ 5,2 bilhões em dezembro, fazendo com que o IDP encerrasse 2025 com ingressos líquidos de US$ 77,7 bilhões (3,41% do PIB).Embora esse montante tenha sido suficiente para financiar o déficit em transações correntes no ano (US$ -68,8 bilhões; 3,02% do PIB), o elevado déficit em conta corrente continua a ter o IDP como principal fonte de financiamento (seguido pelos investimentos em carteira), o que não permite a ocorrência de nenhuma surpresa negativa nesta métrica.
Analisando a composição do IDP, o item que mais chamou a atenção foi o de lucros reinvestidos (US$ -11,4 bilhões), resultado de uma distribuição de lucros de US$ 18 bilhões (o maior da série histórica) que superou os lucros auferidos. O resultado pode ser explicado pela reforma tributária, mais especificamente a introdução da tributação sobre dividendos, que acabou gerando o incentivo para as firmas estrangeiras instaladas em território nacional repatriarem os lucros para os seus respectivos países de origem antes da promulgação da nova legislação sobre o tema.
No geral, a avalição que prevalece é a de que o arrefecimento da atividade ocorrido até agora não foi suficiente para retirar a economia de um quadro de superaquecimento (hiato do produto positivo), condição essa que impede um distensionamento mais significativo das contas externas.