Destaques da Semana
O que movimentou o mercado?
No Brasil, o cenário macroeconômico foi atingido frontalmente pelo choque externo, resultando em uma correção severa do Ibovespa e em um estresse acentuado na curva de juros futuros. A disparada do petróleo eleva as expectativas inflacionárias, o que reduz drasticamente as apostas de um corte na taxa Selic na reunião de março, apesar de dados de atividade resilientes, como a Produção Industrial (PIM) de janeiro, que cresceu 1,8% e superou o teto das projeções de mercado. Somando-se à pressão econômica, a incerteza política ganha tração com a pesquisa Datafolha indicando um cenário de empate técnico para 2026, fator que tende a elevar o prêmio de risco país e a volatilidade do câmbio diante de uma percepção de fragilidade na sustentação fiscal do governo.
No plano internacional, a escalada bélica no Oriente Médio provocou um choque de oferta energético, levando o petróleo WTI a ultrapassar os US$ 100 e o Brent a atingir picos próximos de US$ 120. A nomeação de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do Irã consolida uma linha diplomática e militar dura, o que cristaliza o prêmio de risco geopolítico e sugere que a interrupção no fluxo da commodity não será breve. Embora o G-7 articule uma liberação coordenada de reservas estratégicas para conter os preços, a medida é vista como um paliativo de curto prazo, insuficiente para neutralizar os impactos de ataques diretos a infraestruturas de combustível na região.
Complementando a instabilidade global, os Estados Unidos enfrentam um dilema de estagflação após o relatório de emprego (Payroll) de fevereiro revelar a destruição inesperada de 92 mil postos de trabalho, em contraste com a manutenção de altas salariais. Essa dicotomia coloca o Federal Reserve em uma posição de paralisia: o desaquecimento da atividade exigiria cortes de juros, mas a inflação de custos — potencializada pelo petróleo — impede uma postura mais flexível sem comprometer a meta de preços. O resultado é um movimento de fuga para a qualidade (flight-to-quality), que derrubou as bolsas mundiais, com destaque para a queda de 5% no Nikkei, e fortaleceu o dólar frente às principais moedas globais.
Principais acontecimentos do mercado
KNCR11 – O fundo concluiu sua 12ª emissão de cotas com uma captação recorde de R$ 3,18 bilhões. Com esse montante, o patrimônio líquido do fundo saltou para R$ 11 bilhões, ultrapassando todos os concorrentes e tornando-se o maior fundo imobiliário listado na B3. A emissão atraiu mais de 42 mil investidores e foi impulsionada pela alta demanda por ativos de crédito atrelados ao CDI em um cenário de juros ainda elevados.
TRXF11 – O fundo concluiu a compra de 11 lajes corporativas alugadas ao Hospital Albert Einstein por R$ 334.223.870,00. É um evento de grande escala com um contrato atípico de 25 anos, garantindo estabilidade de longo prazo e proibição de revisão de aluguel.
Performance Semanal das Carteiras Recomendadas (Ex. Dividendos)

Performance Semanal do IFIX
| Setor | P/VP | DY (Anualizado) | DY (12 Meses) | Retorno 1 Semana |
| Recebíveis | 0,88 | 12,53% | 14,72% | 0,40% |
| Shoppings | 0,85 | 10,46% | 13,65% | 0,83% |
| Logística | 0,91 | 9,93% | 12,00% | 0,28% |
| Híbrido | 0,92 | 11,63% | 13,27% | -0,16% |
| Varejo | 0,89 | 16,74% | 13,26% | -0,80% |
| Outros | 0,90 | 11,00% | 12,77% | 0,06% |
| Lajes Corporativas | 0,73 | 9,93% | 12,49% | 0,48% |
| Multiestratégia | 0,89 | 13,01% | 15,25% | 0,67% |
| FoF | 0,86 | 11,23% | 12,95% | 1,00% |
| Desenvolvimento | 0,91 | 15,05% | 14,95% | 0,67% |
