
Fique por dentro das principais informações do mercado financeiro nesta quarta-feira, 4 de fevereiro.
Sell-off começa a contaminar o private equity
Avanços recentes em IA reacendem temores de disrupção no software, pressionando valuations, acelerando sell-offs e contaminando também o private equity.
Resumo do dia
As commodities avançam pelo segundo dia, com o ouro novamente em destaque ao se recuperar da queda histórica e voltar a operar acima de US$ 5.000 a onça, sustentado por compras oportunistas. O petróleo também sobe após o aumento das tensões entre EUA e Irã, depois da derrubada de um drone iraniano no Mar da Arábia. As bolsas globais buscam direção enquanto investidores digerem a rotação recente no setor de tecnologia e aguardam novos sinais da economia americana. Antes dos dados de emprego da ADP e dos índices PMI e ISM, o dólar e os rendimentos dos Treasuries avançam de forma moderada.
No Brasil, o foco recai sobre a temporada de balanços, com expectativa pelo resultado do Itaú após o fechamento, enquanto o Santander Brasil reportou lucro em linha no quarto trimestre, mas viu reação negativa do mercado após a matriz espanhola anunciar uma grande aquisição nos EUA. J&F reformula sua estrutura para acessar o mercado de dívida e a Embraer firmou acordo para apoiar a frota C-390 da Força Aérea Húngara. Os ativos locais perderam fôlego na véspera com a volta das preocupações em torno de nomes cogitados para o Banco Central, enquanto, no cenário político, o adiamento do depoimento de Daniel Vorcaro na CPI se soma a uma sequência de notícias fiscais que ampliam as preocupações com gastos públicos.
Expresso Brasil e Mundo
Ibovespa: O Ibovespa encerrou o pregão em alta de 1,58%, aos 185.674,43 pontos, em mais um dia de forte apetite ao risco e renovação de máximas históricas, impulsionado principalmente pelo desempenho de ações ligadas a commodities e pela continuidade do fluxo estrangeiro para a bolsa local. No ambiente externo, o cenário seguiu construtivo para mercados emergentes, enquanto, no plano doméstico, a leitura mais dovish da ata do Copom, reforçando a perspectiva de corte da Selic em março, e dados mais fracos de atividade ajudaram a sustentar o movimento, com os juros futuros recuando ao longo da curva e o dólar operando sem direção única relevante.
Juros futuros: Os juros futuros reduziram a queda ao longo da curva, com os vértices longos chegando a apagar ou reverter o movimento, enquanto o dólar devolveu o recuo, em reação ao noticiário político sobre a possível confirmação de nomes para a diretoria do Banco Central, apesar de um ambiente externo ainda favorável a emergentes e da alta do Ibovespa.
Mundo: Lateralização nas bolsas globais após pressão vendedora no setor de tecnologia, com investidores rotacionando para ações de menor capitalização em meio a preocupações com inteligência artificial. Resultados decepcionantes de empresas de semicondutores pesam no sentimento, enquanto o dólar se recupera moderadamente.
Minério de ferro: Alta acompanhando a valorização generalizada das commodities metálicas. O movimento ocorre em dia de recuperação do apetite por risco, com cobre também avançando sustentado por projeções otimistas da indústria chinesa para produção de cobre refinado neste ano.
Petróleo: Alta pelo segundo dia consecutivo impulsionada pelo aumento das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã, após incidente envolvendo a derrubada de um drone iraniano no Mar da Arábia, elevando o prêmio de risco nos preços.
Destaque do dia
🔴 O que esperar da temporada de balanços do 4º trimestre de 2025? | Podcast Genial Analisa
⌕ Leia o relatório completo aqui.
PIM (Dez/25): Indústria da transformação afunda e puxa produção industrial para baixo
Em dezembro, a Produção Industrial Mensal (PIM) registrou queda de -1,2% m/m, número pior do que a mediana das projeções dos analistas (-0,5%) mas próximo da nossa estimativa (-1,3% m/m).
⌕ Leia o relatório completo aqui.
SANB11 | Santander abre temporada de balanços do 4T25 com resultado em linha com expectativas
O Santander Brasil reportou um lucro recorrente de R$ 4,09 bi no 4T25 (+6,0% a/a e +1,9% t/t), com ROE estável em 17,6%. O resultado veio praticamente em linha com o consenso (R$ 4,1 bi) e nossas estimativas (R$ 4,18 b), mas alinhado às expectativas de uma recuperação gradual de lucro e controle de despesas. A carteira de crédito expandida cresceu +3,7% a/a e +2,8% t/t para R$ 708,2b, impulsionada por PMEs +5,4% t/t via linhas governamentais e consumo +5,4%. Funding cresceu +1,7% t/t, com share de PF em 50% (+5 pp a/a). Tarifas cresceu +3,6% t/t e +4,3% a/a (ajustado +6,9% a/a). PDD -6,4% t/t, custo de risco 3,76%. Despesas -2,0% a/a e +3,3% t/t, eficiência 38,8%. CET1 11,6% (+60 bps a/a). Do lado um pouco mais negativo, as receitas não evoluíram tanto quanto esperávamos e a inadimplência continuou subindo. Receita de juros (NII) total subiu +0,8% t/t e -4,0% a/a; NII clientes +1,6% t/t e +6,6% a/a. NPL 15-90 dias 4,0% (+0,1 pp t/t) e NPL >90 dias 3,7% (+0,3 pp t/t, por baixa renda/PMEs e menor write-off).
Economia
Por José Marcio Camargo
Cenário internacional benigno para a inflação brasileira
Após a forte desvalorização do real no fim de 2024, o Banco Central vendeu reservas e elevou a Selic a 15% em 2025. Em paralelo, o governo manteve política fiscal expansionista. A desaceleração da inflação ocorreu em meio à fraqueza do dólar global e à deflação da economia chinesa.
⌕ Leia o relatório completo aqui.
As principais notícias do dia 04/02/26
💧 Saneamento
SBSP3 | Sabesp investe R$ 15,2 bilhões em 2025 e acelera avanço rumo à universalização
O que aconteceu? A Sabesp informou, via Fato Relevante, que realizou R$ 15,2 bilhões em investimentos em saneamento e esgotamento sanitário em 2025 (valor preliminar e não auditado), montante 2,2x superior ao investido em 2024 (R$ 6,9 bilhões). No 2S25, os investimentos aceleraram 36% em relação ao 1S25. Como resultado, a companhia superou todas as metas de Fator-U do período 2024-25, com 664 mil novas economias de água (152% da meta), 781 mil economias de esgoto (133%) e 1,37 milhão de economias para tratamento de esgoto (134%). A expansão ampliou o acesso à água para 1,82 milhão de pessoas, coleta de esgoto para 2,14 milhões e tratamento de esgoto para 3,76 milhões, além de gerar mais de 40 mil empregos diretos e indiretos. (Fonte: Sabesp e Genial Investimentos)
Opinião Genial: O evento é positivo para a tese da Sabesp. É importante mencionar que para além dos ganhos de eficiência, a tese da empresa pós-privatização é exatamente baseada na execução de um grande volume de investimentos até atingir a universalização e com possíveis penalidades em caso de não-atingimento da meta. Acreditamos que esse primeiro ano foi fundamental para credibilidade da capacidade do novo management em atingir tais indicadores, afinal de contas dobrar o volume de investimentos de um ano para o outro não é um desafio trivial. Em nossa leitura, esse evento nos ajuda a solidificar a tese da empresa.
Recomendação: Manter
Preço-alvo: R$ 200,00
🛒 Tecnologia / Private Equity
Queda no setor de software arrasta gestoras de fundos privados
O que aconteceu? Uma forte desvalorização no setor de software, alimentada por preocupações com disrupção causada por novas ferramentas de inteligência artificial, resultou em perda combinada de cerca de US$ 300 bilhões em valor de mercado em ETFs que acompanham ações de software, serviços e dados financeiros (como State Street SPDR). Isso pressionou para baixo as ações de gestoras de fundos privados com alta exposição a equity e dívida de software nos últimos anos. Empresas como Ares Management e Blue Owl caíram mais de 9%, Apollo e KKR mais de 7%, e Blackstone mais de 5% em um único dia de sell-off. O movimento reflete temores de que a IA possa substituir ou desvalorizar modelos de software tradicionais, impactando valuations, saídas (exits) e retornos em private equity e venture capital. Gestoras de private credit e buyouts alavancados em software também foram afetadas. O contexto inclui maior cautela em tech após anos de alta valuation, dificuldades em exits para investimentos de 2021-2022 e reavaliação de múltiplos no setor. (WSJ, Yahoo Finance e Genial)
Opinião Genial: O sell-off evidencia riscos crescentes de disrupção por IA no software, o que pode pressionar valuations e liquidez em mercados privados, especialmente para fundos com exposição concentrada em SaaS e enterprise software. Para gestoras públicas (Ares, Apollo, KKR, Blackstone etc.), o impacto direto nas ações reflete o sentimento negativo do mercado.
🛒 Tecnologia / Legal Tech
Queda em ações de software jurídico após lançamento de plugin legal da Anthropic para Claude Cowork
O que aconteceu? A Anthropic, criadora do chatbot Claude, lançou na sexta-feira (31/01/26) um novo plugin “Legal” para seu agente AI Claude Cowork, que automatiza tarefas clericais no setor jurídico, como revisão de documentos, triagem de NDAs, verificação de conformidade (compliance), flag de riscos, briefings legais e respostas templatizadas — tudo configurável conforme políticas e tolerâncias de risco da organização. O plugin posiciona o Claude como ferramenta especializada para workflows de departamentos jurídicos in-house, com alertas de que outputs devem ser revisados por advogados licenciados. O anúncio desencadeou forte sell-off em ações de empresas de software jurídico, publicação legal e serviços de dados: RELX (dona da LexisNexis) caiu ~15%, Thomson Reuters (dona da Westlaw) ~16-19%, LegalZoom ~18-19%, Wolters Kluwer ~13%, além de impactos em Pearson, Sage, Experian, London Stock Exchange Group e outros (até -10-14%). O ETF iShares Expanded Tech-Software Sector (IGV) caiu até 5.6%, estendendo perdas recentes. Investidores temem disrupção por IA generativa em tarefas de pesquisa legal, análise de contratos e automação, que historicamente geram receitas premium nessas companhias. O setor já acumula quedas de 20%+ no ano, aceleradas por avanços em legal tech AI (funding de US$ 3 bi em startups em 2025). (Business Insider, Reuters, Bloomberg, The Guardian e Genial)
✈️ Aeroespacial & Defesa
EMBR3 | Embraer amplia backlog de serviços com contrato do C-390 na Hungria
O que aconteceu? A Embraer assinou contrato de suporte logístico e técnico para a frota de C-390 Millennium da Força Aérea Húngara, abrangendo manutenção, logística integrada e apoio operacional. As aeronaves operadas pela Hungria são as primeiras no mundo equipadas com UTI modular no formato roll-on/roll-off, ampliando a capacidade de missões humanitárias e médicas.
Opinião Genial: O contrato reforça a estratégia de serviços e pós-venda, elevando previsibilidade de receita e aprofundando o relacionamento com clientes de defesa. Além disso, aumenta a visibilidade internacional do C-390 e sustenta a tese de crescimento recorrente além da venda de aeronaves (Embraer | Genial).
