
Fique por dentro das principais informações do mercado financeiro nesta segunda-feira, 23 de fevereiro.
Azul conclui reestruturação e anuncia saída do Chapter 11 nos EUA
Com redução de US$1,1b em dívidas, corte de ~40% em arrendamentos e mais de 50% nos juros anuais, a Azul anunciou a conclusão de sua reestruturação financeira. Alavancagem proforma cai abaixo de 2,5x após o plano.
Resumo do dia
Os mercados globais começam a semana em tom mais cauteloso após Donald Trump anunciar uma tarifa global de 15%, reacendendo preocupações comerciais e geopolíticas. Futuros em Nova York recuam e o ouro avança, enquanto o dólar segue pressionado. Entre as commodities, o petróleo cai com a perspectiva de negociações nucleares entre EUA e Irã, e o minério de ferro sobe em Singapura. Apesar da turbulência, Brasil, China e Índia são vistos como relativamente favorecidos pelo novo desenho tarifário.
No Brasil, a agenda traz a pesquisa Focus e atenção ao câmbio, já que o Banco Central não anunciou rolagem extra de swaps, o que pode levar a posição vendida em dólar a cair abaixo de US$ 100 bilhões. No campo político, o mercado monitora a pesquisa AtlasIntel do dia 25 e movimentações envolvendo Flávio Bolsonaro. No corporativo, a AZUL concluiu o Chapter 11, a BRKM5 Idesa anunciou não pagamento de juros, a CSNA3 foi rebaixada e o governo do DF discute capitalização do BRB, enquanto a VALE assinou acordo com parceiros para unidade de minério e segue no radar em conferência internacional.
Expresso Brasil e Mundo
Ibovespa: O Ibovespa encerrou o pregão em alta de 1,06%, aos 190.534 pontos, fechando acima dos 190 mil pontos pela primeira vez, em um dia marcado por forte apetite ao risco após decisão da Suprema Corte dos EUA que limitou o poder do presidente Donald Trump de impor tarifas amplas, reduzindo incertezas sobre o comércio global. A leitura favoreceu ativos de risco, impulsionando bolsas internacionais, fortalecendo moedas emergentes e pressionando o dólar, que caiu para a região de R$5,17. Mesmo após Trump anunciar uma tarifa temporária de 10% por até 150 dias, o mercado manteve o tom positivo, avaliando que a medida é menos agressiva e aumenta a previsibilidade do cenário externo, o que sustentou o fluxo para emergentes e deu suporte adicional à bolsa brasileira.
Juros futuros: Os juros futuros caíram e rondaram as mínimas da sessão, descolando da alta dos yields dos Treasuries, enquanto o dólar recuou para a faixa de R$ 5,17, refletindo enfraquecimento global da moeda americana em meio à incerteza sobre a política tarifária dos EUA e maior demanda por emergentes.
Mundo: Os mercados internacionais recuam após Trump anunciar tarifa global, gerando turbulência geopolítica com a União Europeia ameaçando congelar pactos e a Índia adiando negociações. China e Brasil aparecem como maiores beneficiados, enquanto investidores monitoram dados econômicos nos EUA.
Minério de ferro: O minério de ferro avança em Singapura, com investidores aguardando o retorno da China aos negócios. O ouro também sobe, apoiado pelo enfraquecimento do dólar e pela incerteza comercial global provocada pela nova rodada de tarifas americanas.
Petróleo: O petróleo opera em baixa, com investidores avaliando as chances de um acordo nuclear entre Estados Unidos e Irã, à medida que novas negociações estão previstas para quinta-feira em Genebra, reduzindo o prêmio de risco geopolítico sobre os preços.
Economia
Por José Marcio Camargo
Decisão da Suprema Corte Americana intensifica pressão sobre o Dólar
A decisão da Suprema Corte de Justiça dos Estados Unidos considerando as tarifas recíprocas introduzidas pelo governo Trump ilegais, além de não definir como seus efeitos sobre os países, empresas e consumidores irão ser compensados pelos custos impostos por sua implementação, gerou grande perplexidade e incerteza nos mercados financeiros.
⌕ Leia o relatório completo aqui.
As principais notícias do dia 23/02/26
💧 Saneamento
CSMG3 | Copasa escolhe bancos para coordenar potencial oferta de ações
O que aconteceu? A Copasa informou que o Estado de Minas Gerais, seu acionista controlador, selecionou as instituições financeiras que atuarão como coordenadoras na potencial oferta pública subsequente de ações no âmbito do processo de desestatização. Foram escolhidos como coordenadores globais BTG Pactual (líder), Itaú BBA, Bank of America, Citigroup e UBS BB. A eventual oferta integra o plano de privatização da companhia, que deve ocorrer por meio de venda secundária de ações detidas pelo Estado, permanecendo sujeita a aprovações regulatórias, condições de mercado e demais etapas do processo. (Copasa e Genial)
Opinião Genial: A definição dos coordenadores representa um avanço relevante na execução do processo de privatização, sinalizando transição da fase regulatória para a etapa operacional da oferta. A privatização continua sendo o principal gatilho estrutural para reprecificação, com potencial de destravar eficiência operacional, otimização de capex e revisão de governança, replicando, em alguma medida, o precedente observado no caso Sabesp.
Recomendação: Manter
Preço-alvo: –
⛽ Petróleo & Gás
Petróleo | Goldman Sachs eleva projeção do Brent para o fim de 2026
O que aconteceu? O Goldman Sachs elevou sua projeção para o preço do petróleo no 4T26 em US$ 6/barril, passando a estimar o Brent em US$ 60/barril e o WTI em US$ 56/barril. A revisão reflete estoques mais baixos do que o esperado nas economias da OCDE, indicando menor folga no equilíbrio entre oferta e demanda. Apesar da revisão altista, o banco mantém a visão de que o mercado global deve permanecer em superávit ao longo de 2026 (~2,3 milhões bpd), assumindo ausência de grandes interrupções de oferta. O relatório também indica que a OPEP+ pode retomar aumentos graduais de produção diante da ausência de crescimento relevante dos estoques globais. (Oil Price e Genial Investimentos)
Opinião Genial: A revisão reforça a leitura de que o mercado entrou em uma fase de equilíbrio mais apertado, na qual a dinâmica de estoques exerce influência crescente sobre os preços, mesmo em um ambiente estruturalmente superavitário. Destacamos três mensagens centrais: I) Estoques baixos sustentam o piso do Brent, II) Menores inventários reduzem a margem de segurança do sistema e elevam a sensibilidade a choques geopolíticos e III) Superávit técnico ≠ pressão imediata nos preços.
🛫 Aéreas
AZUL54 | Azul reduz dívida em US$1,1b e conclui saída do Chapter 11
O que aconteceu? A Azul informou que concluiu sua reestruturação financeira e saiu do Chapter 11, reduzindo US$1,1b em dívidas de financiamento. Considerando também a queda de cerca de 40% nas obrigações de arrendamento de aeronaves, a redução total nas obrigações chega a aproximadamente US$2,5b. A companhia deixou o processo com US$850m em novos investimentos em ações, além de ter captado cerca de US$1,375b via emissão de Senior Notes e US$950m em compromissos de equity.
A Azul também destacou redução superior a 50% nos pagamentos anuais de juros e corte de cerca de 1/3 nos custos recorrentes de leasing. Entre os investidores, American Airlines e United Airlines devem aportar US$100m cada, recebendo ações da companhia. A empresa ressaltou que concluiu o processo em menos de 9 meses, mantendo operação com ~800 voos diários, 85,1% de pontualidade, 32 milhões de clientes em 2025, frota de 175 aeronaves e atendimento a 130 cidades (Azul e Valor).
🏭 Mineração e Siderurgia
VALE3 | João Fukunaga renuncia ao conselho de administração da Vale
O que aconteceu? A Vale informou que João Luiz Fukunaga apresentou renúncia ao cargo de membro do Conselho de Administração, posição que ocupava desde 2023. O executivo foi presidente da Previ entre 2023 e 2025 e deixou o fundo em out/2025, passando a atuar como diretor de Relações Governamentais e ASG da EloPar. Segundo Fukunaga, a decisão segue prática histórica da Previ, na qual o presidente da entidade tradicionalmente ocupa o assento no conselho da Vale. A companhia informou que o Conselho avaliará nos próximos dias as providências para substituição do membro. A Previ é o maior fundo de pensão do país, com patrimônio superior a R$270b (Vale e Genial).
Recomendação: Manter
Preço-Alvo: R$90,00
🏭 Mineração e Siderurgia
VALE3 | Vale firma parceria para desenvolver hub de minério no porto de Gangavaram, na Índia
O que aconteceu? A Vale assinou parceria com a Adani Ports e a NMDC para desenvolver uma instalação integrada de blending de minério de ferro no porto de Gangavaram, na costa leste da Índia. A iniciativa busca aumentar eficiência, escala e competitividade na cadeia de processamento e exportação de minerais na região. Com o projeto, a capacidade de movimentação de minério do porto poderá alcançar até 75Mt, fortalecendo sua posição como hub relevante de commodities e ampliando a competitividade marítima da Índia. O terminal também deverá se tornar o primeiro do país capaz de receber navios Valemax e outras embarcações de grande porte, reforçando a infraestrutura logística e a cadeia de suprimentos (Vale e Genial).
Recomendação: Manter
Preço-Alvo: R$90,00
⛽ Petróleo & Gás
Petróleo | Mercado pode estar subestimando risco geopolítico envolvendo o Irã
O que aconteceu? Os preços do petróleo atingiram máximas de seis meses, com o Brent acima de US$ 70/barril, impulsionados pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã e pelo risco de interrupções na oferta global. O Irã produz mais de 3 milhões de barris/dia, e qualquer disrupção relevante teria impacto significativo no equilíbrio do mercado. Apesar do aumento das tensões (incluindo advertências militares mútuas, presença militar ampliada no Golfo e exercícios militares iranianos) os mercados ainda parecem precificar um cenário-base sem interrupção relevante de oferta. Analistas observam que o mercado embute um prêmio geopolítico moderado, refletindo a expectativa de que mesmo uma escalada não comprometeria fluxos globais, especialmente via Estreito de Hormuz. (Reuters e Genial)
Opinião Genial: O tema reforça a leitura de que o mercado de petróleo está operando em um regime de equilibrio tênue, no qual eventos geopolíticos possuem elevado poder de alterar preços marginalmente. Destacamos três pontos críticos: I) Uma interrupção significativa na produção iraniana (~3 mbpd) poderia eliminar rapidamente o excedente global, gerando um choque de oferta relevante, I) Estreito de Hormuz permanece o principal gargalo sistêmico, II) Cerca de 20% do petróleo global transita pela região, tornando qualquer conflito local potencialmente disruptivo para o sistema energético mundial e III) Narrativa do “oil glut” perde força. Com estoques abaixo da média histórica e risco geopolítico elevado, o excesso estrutural de oferta parece menos determinante para o preço marginal do barril. O mercado atualmente precifica cenários de conflito limitado ou solução diplomática. Entretanto, um evento extremo (bloqueio logístico, ataques a infraestrutura ou sanções mais severas) poderia desencadear rápida reprecificação do Brent.
🏦 Financeiro
VIVT3 | Vivo lucra R$ 1,88 bi no 4T25 com alta de 6,5%
O que aconteceu? A Telefônica Brasil (VIVT3) reportou lucro líquido de R$ 1,88 bilhão no 4T25 (+6,5% a/a). Receita líquida R$ 15,61 bi (+7,1% a/a, em linha com estimativa Bloomberg). EBITDA R$ 6,7 bi (+8,1% a/a), margem de 42,9%. Capex recuou 3,9% na base anual. (Vivo RI, Bloomberg e Genial)
🏭Petroquímico
BRKM5 | Braskem Idesa não paga juros das notas seniores 2032
O que aconteceu? A Braskem Idesa (México) não pagou juros programados em 20/02/26 referentes às notas seniores garantidas com vencimento em 2032. A Braskem (BRKM5) informou que segue negociando estrutura de capital sustentável para a controlada. (Braskem RI, Bloomberg e Genial)
🏭 Indústria
EMBJ3 | Embraer e Adani ampliam parceria para linha de montagem do E175 na Índia
O que aconteceu? A Embraer (EMBJ3) e Adani ampliaram parceria para instalar linha de montagem final do jato E175 na Índia, dentro do programa de Aeronaves de Transporte Regional. O país tem demanda estimada de ao menos 500 aeronaves de 80 a 146 assentos em 20 anos. (Embraer RI e Genial)
🏦 Varejo
PNVL3 | Kinea vende 5,37% da Dimed Panvel e deixa acordo de acionistas
O que aconteceu? A Kinea Private Equity vendeu sua participação de 5,37% das ações ordinárias da Dimed Panvel (PNVL3) e deixou de integrar o acordo de acionistas de julho/2020, conforme comunicado. (Dimed RI e Genial)
🏦 Energia / Distribuição
UGPA3 | Ultra contrata BTG para vender a Ipiranga
O que aconteceu? O Grupo Ultra (UGPA3) contratou BTG Pactual para vender a Ipiranga (segunda maior distribuidora de combustíveis do país), segundo blog de Lauro Jardim. Total, Aramco e holding J&F (dos irmãos Batista) estariam avaliando o negócio. (Blog Lauro Jardim, Genial)
