
Fique por dentro das principais informações do mercado financeiro nesta terça-feira, 3 de fevereiro.
Copasa mira oferta secundária de ações
Recursos arrecadados seriam destinados aos cofres do Estado de Minas com o objetivo de quitar parte da dívida pública com a União.
Resumo do dia
O mercado acompanha hoje a ata do Copom, que deve calibrar as apostas sobre o ritmo de corte da Selic em março, após a decisão de manter a taxa em 15%. A sinalização anterior de flexibilização abriu debate entre um corte inicial de 0,25pp ou 0,50pp, mas a cautela voltou aos ativos domésticos com a notícia de uma possível indicação de Guilherme Mello para a diretoria do Banco Central, segundo fontes. Declarações atribuídas a Mello, defendendo juros mais baixos e o arcabouço fiscal, contribuíram para a inclinação da curva de juros. A agenda local ainda traz leilão do Tesouro, produção industrial de dezembro e vencimento de linhas cambiais, que podem amplificar os movimentos do DI e do câmbio.
No exterior, o sentimento melhora, com bolsas em alta lideradas por tecnologia, enquanto ouro e prata se recuperam após a forte correção recente e o dólar retoma a trajetória de baixa. O pano de fundo segue sendo a reprecificação de ativos após o estresse recente em commodities e a leitura de dados de atividade nos EUA, que influenciam os Treasuries. No Brasil, além da ata, o noticiário político segue com os desdobramentos do caso Master, enquanto no corporativo a American Express negou exposição ao Grupo Fictor e a TIM confirmou negociações para a compra da IHS Brasil, mantendo o foco dividido entre política monetária, fiscal e fluxo.
Expresso Brasil e Mundo
Ibovespa: O Ibovespa encerrou o pregão em alta de 0,8%, aos 182.793,4 pontos, recuperando força no fim da sessão após perder fôlego com a queda acentuada do petróleo, em movimento alinhado à melhora das bolsas em Nova York. No exterior, dados mais fortes de atividade nos EUA sustentaram o apetite por risco, enquanto, no Brasil, o fluxo estrangeiro seguiu como principal vetor de suporte, apesar de ruídos sobre a possível indicação de Guilherme Mello ao Banco Central, que inclinaram a curva de juros, com taxas longas em alta e curtas em queda. O dólar comercial fechou praticamente estável, com leve baixa de 0,1%, a R$5,26.
Juros futuros: Os juros futuros passaram por inclinação da curva, com queda nos vértices curtos e alta nas taxas longas, refletindo cautela com o noticiário político após a indicação de Guilherme Mello para o Banco Central, em meio a pressão externa com dados fortes de atividade nos EUA, enquanto o dólar ficou estável após recuar mais cedo.
Mundo: Alta nas bolsas globais impulsionada pelo setor de tecnologia, com destaque para resultados corporativos acima do esperado e melhora do sentimento após correção recente. Bolsas europeias e índice americano caminham para novas máximas históricas, enquanto o dólar retoma tendência de baixa.
Minério de ferro: Alta com sinais de recuperação após dois dias de queda, sustentada por compras de investidores chineses. A China planeja ampliar estoques estratégicos e coordenar fundições estatais para garantir fornecimento após preços atingirem níveis recordes recentemente.
Petróleo: Baixa pelo terceiro dia consecutivo com alívio das tensões geopolíticas envolvendo o Irã, após sinalizações de possível acordo nuclear. Mercado retoma narrativa de oferta abundante, pressionando os preços para baixo no curto prazo.
Destaque do dia
Vale (VALE3) | Extravasamento de água-MG: Operacionalmente administrável, juridicamente menos claro
O extravasamento de água em Fábrica e Viga-MG gerou ruído de curto prazo, mas avaliamos o impacto operacional como limitado e administrável, sem liberação de rejeitos, vítimas ou efeito sobre comunidades.
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Economia
Por José Marcio Camargo
Cenário internacional benigno para a inflação brasileira
Após a forte desvalorização do real no fim de 2024, o Banco Central vendeu reservas e elevou a Selic a 15% em 2025. Em paralelo, o governo manteve política fiscal expansionista. A desaceleração da inflação ocorreu em meio à fraqueza do dólar global e à deflação da economia chinesa.
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As principais notícias do dia 03/02/26
💧 Saneamento | 03/02/26
CSMG3 | Governo de Minas ajusta modelo de privatização da Copasa com oferta secundária de ações
O que aconteceu? O governo de Minas Gerais definiu o modelo de privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), que prevê a redução de sua participação por meio de uma oferta pública secundária de ações no mercado, sem emissão de novos papéis, com os recursos arrecadados sendo destinados aos cofres do Estado com o objetivo de quitar parte da dívida pública com a União e cumprir obrigações associadas à renegociação de débitos. No modelo, estuda-se ainda a entrada de um investidor estratégico, com participação mínima prevista de 30% e restrições de venda nos primeiros quatro anos, condicionado ao cumprimento de metas de universalização dos serviços. A proposta mantém mecanismos de poder de veto do Estado sobre decisões estratégicas, mesmo após a desestatização. A efetivação desse formato ainda está sujeita a aprovações societárias, de credores e condições de mercado. (Valor e Genial)
Opinião Genial: Vemos as medidas anunciadas como positivas para tese da empresa e em termos muito similares a oferta da Sabesp (venda de ações e determinação de um acionista de referência com lock up de venda da participação). A ideia de uma golden share também não é nova e sempre fez parte de processos similares. Apesar da performance recente das ações, acreditamos que o processo de privatização ainda deve trazer muito valor a ser destravado para o case da empresa tendo em vista o aumento dos investimentos e ganhos de eficiência a serem capturados.
Recomendação: Manter
Preço-alvo: R$27
💻 Tecnologia | 03/02/2026
TOTVS | Venda da Dimensa libera R$ 1,4 bi em caixa
O que aconteceu? A Totvs anunciou a venda de sua subsidiária Dimensa para a Evertec Brasil. A transação envolve um enterprise value de R$ 950 milhões, em linha com estimativas de mercado, e resulta em um valor patrimonial de R$ 1,4 bilhão, equivalente a cerca de 5% da capitalização de mercado da Totvs, considerando a posição de caixa líquido em 31 de dezembro de 2025. Para viabilizar a operação, a Totvs realizou previamente a consolidação total da Dimensa, adquirindo a participação de 37,5% detida pela B3 por R$ 665 milhões, após o exercício de opção de venda. Com isso, a companhia passou a deter 100% do ativo antes da alienação integral à Evertec. A conclusão da transação está sujeita às aprovações regulatórias usuais, incluindo a autoridade antitruste brasileira.
✈️ Aviação | 03/02/2026
AZUL54 | Fundo de aviação de R$ 4 bi deve destravar crédito no 1S26
O que aconteceu? O governo deve viabilizar ainda no 1º semestre de 2026 o uso do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC) como garantia para empréstimos às companhias aéreas, totalizando R$ 4 bilhões, segundo a Secretaria Nacional de Aviação Civil. A operação será estruturada pelo BNDES e poderá ser ampliada com mais R$ 1,5 bi em garantias já aprovadas na LOA 2026. Pelo desenho atual, companhias maiores teriam acesso a até R$ 1,2 bi cada, enquanto empresas menores poderiam captar até R$ 200 mi. As taxas previstas variam entre 6,5% e ~7,5% a.a., a depender da finalidade (Valor).
Opinião Genial: A iniciativa é positiva para o setor ao ampliar alternativas de financiamento em um ambiente de crédito restrito e balanço apertado. Ainda assim, o impacto efetivo dependerá da flexibilização das contrapartidas exigidas — hoje vistas como elevadas pelas companhias — e da velocidade de contratação das linhas após a aprovação final do comitê gestor do FNAC.
