
Fique por dentro das principais informações do mercado financeiro nesta quinta-feira, 15 de janeiro.
A força da Renda Fixa
O destaque ficou para renda fixa e crédito, com novas emissões de R$2,9 trilhões (+24,6% a/a) e estoques de R$9,3 trilhões (+19,8% a/a).
Resumo do dia
Os mercados globais amanhecem em tom mais construtivo, com alívio no risco geopolítico após Donald Trump sinalizar que pode adiar uma resposta militar ao Irã. O petróleo recua depois de seis sessões de alta, enquanto o apetite por risco favorece ações de tecnologia, impulsionadas pela TSMC ao reforçar perspectivas sólidas para a demanda por inteligência artificial. Treasuries e dólar oscilam pouco, refletindo um ambiente de menor busca por proteção, com a agenda dos EUA concentrada em dados de atividade e falas de dirigentes do Fed.
No Brasil, o foco do dia recai sobre as vendas no varejo de novembro, que devem mostrar desaceleração, e sobre o leilão do Tesouro com oferta de LTNs e NTN-Fs, incluindo o vencimento de 2037, após a volatilidade recente na curva de juros. O Ibovespa fechou a sessão anterior em nova máxima histórica, sustentado por rotação de portfólio em direção a ações ligadas a commodities e pela leitura positiva de pesquisas eleitorais, ainda que juros futuros e dólar tenham mostrado oscilações ao longo do pregão.
No noticiário político, ganham espaço as articulações em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro e desdobramentos do caso Master, que seguem no radar de investidores. No corporativo, os destaques ficam para resultados acima do esperado da Camil e forte crescimento de vendas no setor imobiliário, enquanto reuniões e assembleias de companhias ao longo do dia podem adicionar ruído pontual aos preços dos ativos.
Expresso Brasil e Mundo
Ibovespa: O Ibovespa encerrou o pregão em alta de 1,96%, aos 165.145,98 pontos, refletindo um dia de forte recuperação do apetite ao risco na bolsa local e renovação de máximas históricas, mesmo com um pano de fundo externo mais carregado, marcado pela escalada de tensões geopolíticas (com a Groenlândia e o Irã no radar), pela temporada de balanços nos EUA e pela continuidade das incertezas em torno da independência do Federal Reserve, fatores que mantiveram Wall Street no negativo. No plano doméstico, o mercado absorveu um noticiário político intenso — com destaque para a pesquisa Genial/Quaest e a repercussão sobre o cenário eleitoral — e surfou a performance de blue chips, com Vale e Petrobras liderando os ganhos, ainda que a leitura de risco não tenha sido homogênea nos preços macro: o dólar comercial subiu 0,49%, a R$5,402, após volatilidade intradiária, enquanto os juros futuros fecharam em alta por toda a curva.
Juros futuros: Subiram ao longo da curva, com pressão mais evidente nos vértices médios e longos, refletindo aversão ao risco e alta do dólar, após noticiário externo negativo envolvendo possível suspensão de vistos pelos EUA e ruído político doméstico, o que elevou o prêmio exigido pelos investidores.
Mundo: Alta moderada dos mercados globais, com melhora do apetite por risco após alívio das tensões geopolíticas, sinalizado por possível adiamento de ação militar dos EUA contra o Irã, e suporte adicional vindo do setor de tecnologia com perspectivas fortes para inteligência artificial.
Minério de ferro: Baixa do minério de ferro, refletindo cautela com o aumento potencial de oferta no médio prazo após anúncios de grandes mineradoras na Austrália, além de ajuste de posições em um ambiente de menor busca por proteção e rotação de portfólio nos mercados globais.
Petróleo: Baixa acentuada do petróleo, interrompendo sequência de altas, após sinais de redução do risco imediato de conflito no Oriente Médio, com Trump indicando adiamento de resposta militar ao Irã, diminuindo o prêmio geopolítico embutido nos preços.
Economia
Por José Marcio Camargo
Leituras mais fracas de inflação nos EUA se devem ao shutdown do governo e não configuram dados confiáveis para o FED voltar a cortar juros
As surpresas baixistas apresentadas tanto pelo Índice de Preços ao Produtor (PPI) de novembro como pelo Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de dezembro, embora tenham fornecido algum alívio nos números de inflação, não configuram dados plenamente confiáveis para o banco central norte americano (Federal Reserve) voltar a cortar a taxa de juros por conta do efeito base do período no qual a máquina federal ficou paralisada (shutdown).
⌕ Leia o relatório completo aqui.
As principais notícias do dia 15/01/26
🚗 Transportes
MOVI3 | Movida supera guidance e entrega maior lucro trimestral em três anos
O que aconteceu? A Movida divulgou a prévia dos resultados do 4T25 e de 2025, informando que superou os guidances de lucro líquido e alavancagem. No 4T25, o lucro líquido foi de R$ 102 mi, alta de +65% a/a e 24% acima do ponto médio do guidance (R$ 75–90 mi). O EBITDA atingiu R$ 1,49 bi (+20% a/a), enquanto a receita líquida somou R$ 3,66 bi (+13% a/a). A alavancagem caiu para 2,6x Dívida Líquida/EBITDA, o menor nível dos últimos cinco anos. No acumulado de 2025, o lucro líquido foi de R$ 318 mi (+38% a/a), com EBITDA de R$ 5,69 bi (+21% a/a).
Opinião Genial: A prévia reforça uma melhora consistente da qualidade operacional e financeira, com crescimento em locação, estabilização de seminovos, avanço de margens e trajetória clara de desalavancagem
🏗️ Imobiliário
CURY3 | Cury divulga prévia do 4T25
O que aconteceu? A Cury encerrou 2025 com forte desempenho operacional, registrando lançamentos de R$ 8,3 bilhões (+25,9% A/A) e vendas líquidas de R$ 7,8 bilhões (+25,8%). A geração de caixa foi o principal destaque, com R$ 321,1 milhões no 4T25 e R$ 683,3 milhões no ano, marcando o 27º trimestre consecutivo de caixa positivo. No trimestre, houve desaceleração sequencial de lançamentos, em linha com a estratégia da companhia, mas com crescimento anual e repasses elevados, sustentando o caixa. A companhia também ampliou o landbank para R$ 24,6 bilhões em VGV potencial e distribuiu R$ 1,35 bilhão em dividendos em 2025, reforçando sua forte posição financeira. (Cury e Genial)
Opinião Genial: Os números foram positivos, com destaque para a forte geração de caixa de R$ 321 milhões, que por sua vez representa um FCF yield anualizado de aproximadamente 13,2%. Além disso, destacamos que mesmo com uma diminuição no VGV lançado no trimestre, a VSO segue em patamar elevado.
🏦 Financeiro
B3SA3 | B3 divulga dados operacionais de dezembro com melhora de RPC e força em renda fixa
O que aconteceu? A B3 divulgou seus dados operacionais de dezembro, mostrando queda anual no volume de derivativos (11,0 milhões; -12,9% a/a), mas melhora no preço, com RPC total de R$ 1,34 (+3,7% a/a), puxada por juros em reais. Em renda variável, o ADTV foi de R$ 30,5 bilhões (+1,6% a/a). O destaque positivo ficou para renda fixa e crédito, com novas emissões de R$ 2,9 trilhões (+24,6% a/a) e estoque de R$ 9,3 trilhões (+19,8% a/a), além do Tesouro Direto, cujo estoque cresceu 41,8% a/a. (RI B3 e Genial)
🪙 Mercado Financeiro
AGBP34 | Agibank protocola pedido de IPO nos EUA após PicPay
O que aconteceu? O Agibank entrou com o protocolo de pedido para realizar um IPO nos Estados Unidos, na bolsa NYSE, seguindo movimento semelhante ao do PicPay, que também buscou listagem internacional. A iniciativa faz parte da estratégia do banco digital de ampliar acesso a capital internacional e ganhar visibilidade global, podendo atrair investidores estrangeiros e reforçar planos de crescimento. (NeoFeed e Genial)
🏗️ Imobiliário
MTRE3 | Mitre registra queda nos lançamentos e nas vendas no 4º trimestre
O que aconteceu? A construtora Mitre divulgou seus resultados operacionais do 4º trimestre de 2025, registrando uma queda de 75 pontos percentuais nos lançamentos de unidades em comparação a igual período do ano anterior e uma redução de 2% nas vendas líquidas no mesmo intervalo. Os números refletem um cenário desafiador no segmento imobiliário, com menor dinamismo de mercado e retração na absorção de novos projetos. (Valor e Genial)
🏗️ Imobiliário
PLND3 | Plano&Plano recua 53% em lançamentos no 4º trimestre, mas eleva vendas em 125%
O que aconteceu? A Plano&Plano registrou queda de 53% nos lançamentos de empreendimentos no 4º trimestre de 2025 frente ao mesmo período de 2024, reflexo de uma estratégia mais seletiva diante de um ambiente de mercado desafiador. Apesar disso, a empresa conseguiu aumentar as vendas líquidas em 125% no trimestre, indicando maior absorção da oferta existente e execução comercial mais eficiente. (Valor e Genial)
🚗 🔧 Indústria / 🚙 Automotivo 15/01/26
TMCO34 / TMAR34 | Toyota Group aumenta preço de oferta por Toyota Industries
O que aconteceu? O Toyota Group elevou sua oferta para adquirir a Toyota Industries, ampliando o preço proposto na tentativa de conquistar apoio dos acionistas e avançar na transação. O movimento sinaliza o interesse do grupo em fortalecer sua integração vertical e competitividade global, além de avançar em segmentos como manufatura, logística e tecnologia automotiva. (Valor e Genial)
📡 Tecnologia
TSM34 | TSMC reporta lucro de US$ 16,04 bi no 4º trimestre, alta de 35% impulsionada por IA
O que aconteceu? A TSMC (Taiwan Semiconductor Manufacturing Company) registrou lucro líquido de US$ 16,04 bilhões no 4º trimestre de 2025, crescimento de 35% em relação ao 4T24, impulsionado pela forte demanda por chips usados em aplicações de inteligência artificial (IA). A receita também cresceu no período, refletindo o aumento de pedidos de clientes focados em grandes modelos de IA e data centers, consolidando a liderança da TSMC como fornecedora essencial de semicondutores avançados. (Valor e Genial)
🏦 Financeiro
CBSF DTVM / Reag | Banco Central decreta liquidação extrajudicial da CBSF DTVM (ex-Reag)
O que aconteceu? O Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., antiga Reag Trust DTVM, após constatar graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional, incluindo indícios de irregularidades investigados pela Polícia Federal no contexto de esquemas com o Banco Master. Como parte da medida, os bens dos controladores e ex-administradores foram tornados indisponíveis enquanto continuam as apurações que podem resultar em sanções administrativas e outras ações legais. A instituição atuava no segmento de menor porte do mercado e representava menos que 0,001% dos ativos ajustados do sistema financeiro. (Banco Central, Valor e Genial)
🏦 Financeiro
GFSA3 / AMBP3 / LIGT3 | Caso Master: Tanure busca venda de ativos e expõe ligações com empresas listadas
O que aconteceu? No contexto das investigações da Polícia Federal sobre o escândalo do Banco Master, o empresário Nelson Tanure teria buscado vender ativos e renegociar dívidas com credores para reduzir os impactos da crise e preservar parte de seus negócios. As apurações já resultaram na liquidação extrajudicial da CBSF DTVM e avançam sobre possíveis irregularidades financeiras. Paralelamente, reportagens indicam ligações societárias entre Tanure e Daniel Vorcaro — controlador do Master — em empresas listadas na B3, como Gafisa (GFSA3), Ambipar (AMBP3) e Light (LIGT3), aumentando o escrutínio do mercado sobre governança e riscos legais nesses ativos. (Valor, Metrópoles e Genial)
🔧 Indústria
AMBP3 | Diretora da Ambipar é investigada em operação da Polícia Federal
O que aconteceu? Uma diretora da Ambipar passou a ser investigada pela Polícia Federal no âmbito de uma operação que apura possíveis irregularidades financeiras e de governança, segundo o Pipeline Valor. A investigação ocorre em meio à crise financeira e ao processo de recuperação judicial da companhia, ampliando as preocupações do mercado com governança, riscos legais e execução da reestruturação. A empresa informou que acompanha as apurações e que os fatos ainda estão sob investigação. (Pipeline Valor e Genial)
