
Fique por dentro das principais informações do mercado financeiro nesta segunda-feira, 12 de janeiro.
Países da UE aprovaram o acordo de livre comércio com o Mercosul
Trata-se do maior acordo comercial já firmado pela UE, com potencial de eliminar cerca de €4b em tarifas e ampliar o comércio bilateral.
Resumo do dia
Os mercados globais começam a semana sob pressão com a reativação do movimento de “vender os EUA”, após novas dúvidas sobre a autonomia do Federal Reserve. Futuros em Nova York recuam, o dólar perde força e os Treasuries são pressionados depois de Jerome Powell afirmar que o Fed recebeu intimações do Departamento de Justiça, em meio a tensões com o governo Trump. O ambiente de aversão a risco sustenta a busca por proteção: ouro e prata renovam recordes, enquanto o petróleo segue em patamar elevado com a escalada das tensões no Irã. Metais industriais também avançam, com o cobre perto de máximas e o minério de ferro subindo com recomposição de estoques na China.
No Brasil, a atenção se volta para a pesquisa Focus no início da semana, após o IPCA de dezembro reforçar a leitura de inflação pressionada em núcleos e serviços. O mercado segue reduzindo as apostas em corte da Selic já em janeiro, concentrando o início do ciclo de alívio monetário em março. O Banco Central mantém a rolagem diária de swaps, enquanto o debate sobre condições financeiras mais frouxas acende alertas dentro da autoridade monetária. O pano de fundo é de cautela, com investidores calibrando posições diante de um cenário doméstico ainda sensível à dinâmica inflacionária.
No campo político-institucional, o caso do Banco Master segue no radar. Gabriel Galípolo e Fernando Haddad devem se reunir com o TCU para tratar do tema, em meio a novas informações sobre desvios identificados e à avaliação preliminar de que não houve inação do BC. Em paralelo, o avanço do acordo UE-Mercosul volta a ganhar destaque, com expectativas de impacto positivo sobre exportações e investimentos. No noticiário corporativo, a Gol avança nos preparativos para uma OPA, enquanto o Santander Brasil aprovou o pagamento de JCP de R$2 bilhões, adicionando fluxo relevante ao mercado nesta semana.
Expresso Brasil e Mundo
Ibovespa: O Ibovespa avançou 0,27% nesta sexta-feira, aos 163.370,31 pontos, em um pregão marcado pelo alívio no cenário externo e por sinais macroeconômicos relevantes, com destaque para o avanço político do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, que animou os mercados ao reforçar expectativas positivas para o comércio internacional e setores ligados a exportação, enquanto no ambiente doméstico o IPCA de dezembro surpreendeu positivamente ao manter a inflação dentro do intervalo da meta, ainda que a persistência da inflação de serviços sustente a leitura de cautela e continuidade do ritmo gradual de cortes de juros pelo Banco Central do Brasil, ao passo que, no exterior, o payroll de dezembro nos EUA veio abaixo do esperado, mas com desemprego baixo e salários firmes, reforçando a percepção de estabilidade da política monetária do Federal Reserve no curto prazo.
Juros futuros: Subiram ao longo de quase toda a curva, pressionados pelo IPCA com núcleos e serviços mais altos e pela alta dos yields americanos.
Mundo: Alta moderada dos mercados internacionais, com bolsas americanas renovando máximas, apoiadas por dados de emprego mais fracos nos EUA, que aliviaram o dólar e os yields, reforçando percepção de política monetária mais acomodatícia à frente.
Minério de ferro: Alta leve do minério de ferro, sustentada por melhora do sentimento global de risco, fluxo comprador em ativos ligados à China e expectativa de demanda estável, apesar de cautela com revisões negativas para grandes produtoras do setor.
Petróleo: Alta forte do petróleo, impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio, riscos de interrupção de oferta e monitoramento de protestos e ameaças de retaliação, em um contexto de mercado mais sensível a choques de produção.
De Olho nas Ações
Destaques
Expresso Bolsa Semanal: Venezuela, Petróleo, Payroll abaixo do esperado
Semana marcada por deposição de Maduro na Venezuela gerou volatilidade e pressionou petroleiras, mas fluxo estrangeiro reverteu tendência negativa, sustentando Ibovespa perto de máximas. Payroll fraco nos EUA enfraqueceu dólar e favoreceu emergentes e real.
Economia
Por José Marcio Camargo
Banco Central ainda tem trabalho pela frente
Os dados de mercado de trabalho e inflação da economia brasileira divulgados na semana passada, mostram que, apesar da desaceleração observada desde o início de 2025, o Banco Central tem ainda muito trabalho para levar a inflação para a meta de 3,0% ao ano.
⌕ Leia o relatório completo aqui.
As principais notícias do dia 12/01/25
🎯 Macro | Setorial | UE aprova acordo de livre comércio com o Mercosul
O que aconteceu? Os países da UE aprovaram o acordo de livre comércio com o Mercosul, abrindo caminho para a assinatura formal pela Comissão Europeia, possivelmente já na próxima semana. O acordo ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor. Trata-se do maior acordo comercial já firmado pela UE, com potencial de eliminar cerca de €4b em tarifas e ampliar o comércio bilateral, atualmente estimado em €111b. Do lado europeu, o acordo é visto como estratégico para compensar perdas comerciais associadas a tarifas dos EUA, reduzir a dependência da China e garantir acesso a matérias-primas críticas.
O texto prevê a eliminação de tarifas sobre 91% das importações do Mercosul provenientes da UE. Apesar disso, há forte oposição interna — liderada pela França e por grupos agrícolas — devido ao risco de maior entrada de produtos agropecuários de baixo custo. Para mitigar resistências, a Comissão Europeia incluiu salvaguardas para produtos sensíveis, controles mais rígidos e apoio aos produtores. Segundo estimativas oficiais, as exportações da UE ao Mercosul podem crescer 39% (+€48,7b), enquanto as exportações do Mercosul à UE avançariam 16,9% (+€8,9b). Até 2040, o acordo pode elevar o PIB da UE em €77,6b (0,05%) e o do Mercosul em €9,4b (0,25%) (Comissão Europeia).
🎯 Macro | GOLD11 | Preço do ouro alcança recorde acima de US$ 4.600/oz após dados fracos de emprego nos EUA
O que aconteceu? Os preços do ouro saltaram para máximas históricas perto de US$ 4.600 por onça, impulsionados por dados de emprego nos EUA mais fracos que o esperado, que reforçaram expectativas de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve e estimularam a busca por ativos de refúgio. A desaceleração no crescimento de vagas de trabalho e a alta incerteza geopolítica também contribuíram para a alta do metal precioso. (Investing.com e Genial)
✈️ Aviação | GOLL54 | Laudo para OPA fixa valor econômico em R$ 10,13 por lote
O que aconteceu? A Gol recebeu o laudo de avaliação que servirá de base para a OPA de saída do Nível 2, apontando valor econômico de R$ 10,13 por lote de mil ações PN, acima do fechamento de R$ 6,25 no dia. A avaliação foi feita pela Apsis via fluxo de caixa descontado, com projeções até 2031, WACC de 15,1%, crescimento na perpetuidade de 3,6% e considerando a nova estrutura de capital após o Chapter 11. O avaliador descartou PL contábil (negativo) e VWAP como referências principais; o VWAP desde o início do GOLL54 foi R$ 7,27. O movimento se insere na simplificação societária pós-reestruturação (Gol e Genial).
🏗️ Imobiliário | TEND3 | Tenda divulga prévia operacional do 4T25
O que aconteceu? A Tenda divulgou a prévia operacional do 4T25 com desempenho sólido, destacando lançamentos recordes e cumprimento do guidance anual. No trimestre, a companhia lançou 14 empreendimentos, com VGV de R$ 1,7 bilhão, e vendas líquidas de R$ 1,1 bilhão, alta de 19% em relação ao 4T24. A VSO líquida ficou em 22,6%, impactada pela concentração de lançamentos no fim de dezembro, mas teria sido de 26% sem esse efeito. Em 2025, as vendas líquidas totalizaram R$ 4,24 bilhões, recorde histórico. Em relação à Alea, vemos uma melhora sequencial no ritmo de vendas, mas por outro lado, a companhia apresentou queda no volume de lançamentos, principalmente devido ao atraso na obtenção de licenças em um projeto no Rio Grande do Sul. (Tenda e Genial)
Opinião Genial: De maneira geral, julgamos que os números foram neutros. Por um lado, a companhia segue apresentando fortes volumes de lançamentos na divisão Tenda, ainda que com um ritmo de vendas razoável. Por outro, a Alea continua enfrentando dificuldades para ganhar tração. Ainda assim, seguimos construtivos com a companhia, ao passo que a Alea deve apresentar melhoras ao longo de 2026, além de um ambiente favorável do MCMV e por múltiplos atrativos.
📚 Educação | COGN3 | Vasta, controlada da Cogna, aprova deslistagem da Nasdaq
O que aconteceu? A Vasta Platform Limited — empresa de edtech controlada pela Cogna Educação — aprovou a deslistagem voluntária de suas ações da Nasdaq após a Cogna adquirir cerca de 97,2% do capital da subsidiária. A decisão foi tomada pelo conselho da Vasta e visa retirar a companhia do mercado de capitais dos EUA, eliminando custos e obrigações regulatórias associados à listagem e à divulgação perante a SEC. O último dia de negociação deve ser em 29 de janeiro de 2026 e a empresa também planeja cancelar seu registro nos EUA. (Valor Econômico e Genial)
✈️ Aéreas | AZUL54 | Azul leva ao CADE aporte da American Airlines após United
O que aconteceu? A Azul vai submeter ao CADE a formalização da entrada de **aportes de capital de até ~US$ 100 milhões tanto da United Airlines quanto da American Airlines no âmbito de sua reestruturação financeira (Chapter 11), após a análise da participação ampliada da United ter sido suspensa ou prorrogada pelo órgão antitruste por conta de questionamentos sobre potenciais efeitos concorrenciais — incluindo a necessidade de considerar também o aporte da American Airlines no mesmo contexto. Essa etapa é parte do processo para reforçar o caixa da Azul e fortalecer sua saída da recuperação judicial, com ambos os aportes dependendo de autorização do CADE antes de serem efetivados. (Valor Econômico e Genial)
⛽ Óleo e gás | BRAV3 | CEO da Brava Energia renuncia; Richard Kovacs será o novo CEO
O que aconteceu? A Brava Energia anunciou a renúncia de Décio Oddone ao cargo de diretor-presidente (CEO), com Oddone permanecendo até 31 de janeiro de 2026 para garantir uma transição coordenada. O conselho elegeu Richard Kovacs como o novo CEO, com posse prevista em 1º de fevereiro de 2026. Como parte da reorganização, Alexandre Cruz foi eleito presidente do conselho após a saída de Kovacs da função de chairman. A sucessão foi descrita como planejada e alinhada à continuidade da estratégia de longo prazo da companhia. (Money Times, Reuters e Genial)
