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Trump suspende ultimato ao Irã após “conversas produtivas”; Brent opera acima de US$ 113 com trégua de cinco dias
Trump suspende ultimato de 48 horas para o Irã e anuncia pausa de cinco dias nos ataques após “conversas produtivas”. Brent ainda opera acima de US$ 113, com yields globais pressionados por inflação. BC segue na linha de frente: oferta US$ 2 bi em linha e amplia swaps para 60 mil contratos para rolar integralmente vencimentos de abril.
Resumo do dia
O ultimato de 48 horas dado por Donald Trump para que o Irã reabrisse o Estreito de Ormuz foi suspenso. Em publicação na Truth Social, o presidente americano anunciou que os EUA e o Irã tiveram “conversas muito boas e produtivas” e determinou uma pausa de cinco dias nos ataques contra usinas iranianas, enquanto as negociações seguem ao longo da semana. A decisão trouxe certo alívio aos mercados, mas a tensão segue no radar: o Brent opera acima dos US$ 113 e os yields globais continuam pressionados pelas expectativas de inflação.
Por aqui, o Banco Central segue na linha de frente para conter a volatilidade cambial. Após as intervenções via casadão nas últimas semanas, a autoridade monetária anunciou a oferta de até US$ 2 bilhões em linha para rolagem e ampliou para 60.000 contratos o volume de swaps, indicando que pretende rolar integralmente os vencimentos de abril. A medida chega em um momento sensível: a curva de juros reduziu as apostas de cortes mais agressivos, com o mercado agora vendo algo próximo de 1 ponto percentual até o fim do ciclo.
Expresso Brasil e Mundo
Ibovespa: Ibovespa fechou em queda de 2,25%, aos 176.219 pontos, pressionado pela aversão global ao risco com a escalada do conflito no Oriente Médio. O pregão teve volume elevado de R$ 49,45 bilhões, influenciado também pelo vencimento de opções sobre ações.
Juros futuros: Juros futuros e dólar subiram com aversão a risco global. A escalada da guerra no Oriente Médio e a ameaça ao estreito de Ormuz pressionaram o petróleo, reduzindo o espaço para cortes de juros no Brasil.
Mundo: Os mercados globais operam em forte modo risk-off, com bolsas asiáticas caindo mais de 3% e futuros americanos em baixa. O ultimato de Trump ao Irã para reabertura do Estreito de Ormuz, que expira esta noite, mantém investidores em cautela máxima com escalada geopolítica.
Metais: O ouro opera em forte baixa, cedendo cerca de 5% num movimento atípico de aversão ao risco: os fluxos defensivos migraram para o dólar em vez dos metais preciosos, com prata também em queda acentuada. Minério de ferro segue estável em Singapura.
Petróleo: O petróleo opera em alta, sustentado pela crise no Estreito de Ormuz e pelos danos em dezenas de ativos energéticos em nove países do Oriente Médio. A Arábia Saudita ativou oleoduto alternativo da década de 1980 para contornar a rota bloqueada.
Economia
Por José Marcio Camargo
Apesar de tudo, o Estreito de Ormuz continua fechado
Após 25 dias desde o início da guerra no Oriente Médio, o cenário parece ainda menos incerto do que no começo do conflito. De um lado, o Presidente Trump, adotando a estratégia que o tornou famoso, continua a afirmar que a guerra está praticamente no fim, que Estados Unidos e Israel dizimaram a liderança do Irã, mataram o líder Supremo, os comandantes da Guarda Revolucionária Islâmica, o chefe das forças armadas, entre outras lideranças, praticamente destruíram as forças aéreas, terrestres e navais do Irã e que o país está praticamente destruído.
⌕ Leia o relatório completo aqui.
As principais notícias do dia 23/03/26
⛽ Petróleo & Gás
PETR4 | Trump anuncia conversas “boas e produtivas” com o Irã e adia ataques à infraestrutura energética iraniana
O que aconteceu? O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou em 23 de março de 2026 que Washington e Teerã tiveram conversas “muito boas e produtivas” nos últimos dois dias e, com isso, determinou uma pausa de cinco dias em eventuais ataques militares contra usinas e ativos de energia do Irã. A sinalização representou uma mudança relevante em relação ao ultimato anterior envolvendo a reabertura do Estreito de Ormuz e foi lida pelo mercado como um movimento de descompressão tática do risco geopolítico no Oriente Médio. Em reação, o preço do petróleo recuou de forma acentuada no dia, com queda superior a 10% no Brent em alguns momentos do pregão. (Fonte: Valor/Reuters e Genial Investimentos) (Reuters e Genial)
Opinião Genial: A notícia é marginalmente negativa para a tese de curto prazo das petroleiras expostas ao Brent, na medida em que reduz parte do prêmio de risco geopolítico embutido na curva após a escalada recente envolvendo Irã, Israel e o Estreito de Ormuz. O ponto central aqui não é exatamente uma mudança estrutural nos fundamentos globais de oferta e demanda, mas sim uma compressão do “fear premium” que vinha sustentando preços extraordinariamente elevados.
Recomendação: Manter
Preço-alvo: R$44
🏥 Saúde
FLRY3 | Fleury pode investir na Oncoclínicas junto com a Porto
O que aconteceu? O Fleury aderiu à proposta da Porto para investir na Oncoclínicas, passando a participar da estrutura que prevê a criação de uma nova empresa (NewCo) reunindo cerca de 200 clínicas de oncologia da companhia. O investimento conjunto deve somar R$ 500 milhões em equity, além da emissão de R$ 500 milhões em debêntures conversíveis com prazo de 48 meses e remuneração de 110% do CDI.
A nova estrutura poderá concentrar também até R$ 2,5 bilhões em passivos, enquanto a participação societária e as regras de governança entre Fleury e Porto ainda serão definidas. A proposta é não vinculante e depende de due diligence e negociação com credores da Oncoclínicas. (Genial Investimentos, Brazil Journal)
Opinião Genial: A entrada do Fleury reforça o valor estratégico dos ativos de oncologia da Oncoclínicas e aumenta a probabilidade de uma solução para a estrutura de capital da companhia. A transação pode criar uma plataforma integrada relevante no segmento oncológico, aproximando diagnóstico, tratamento e financiamento de saúde, ao mesmo tempo em que contribui para reduzir riscos operacionais da Oncoclínicas.
🏭 Mineração e Siderurgia 23/03/26
CSNA3 | J&F mira CSN Cimentos em negociação bilionária
O que aconteceu? A J&F, holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista, está em negociações diretas com Benjamin Steinbruch para adquirir a CSN Cimentos, unidade de cimento da CSN. As tratativas, confirmadas pela Bloomberg e pelo Estadão, ainda são iniciais e podem não resultar em acordo. A J&F também teria demonstrado interesse na CSN Mineração, um dos ativos mais valiosos do grupo.
O movimento é motivado pela urgência da CSN em reduzir uma dívida de ~R$40b, com Steinbruch buscando levantar entre R$15-18b via venda de ativos. O negócio, assessorado pelo Morgan Stanley e Santander, é avaliado em pelo menos R$10b incluindo dívida, com conclusão prevista para o 3T-4T 26E. A CSN Cimentos é a segunda maior cimenteira do Brasil, com 21% de market share e capacidade de 17Mtpa. Votorantim e a chinesa Huaxin Cement também figuram como interessadas. Para a J&F, seria a estreia no setor de cimento, ampliando um portfólio que já inclui carne, celulose, mineração, energia e fertilizantes.
Recomendação: Manter
Preço-alvo: R$9,00
🏭 Mineração e Siderurgia
CSNA3 | CSN capta US$1,2b em crédito sindicalizado para refinanciar dívidas
O que aconteceu? A CSN celebrou uma carta-compromisso vinculante com um sindicato de bancos — incluindo Morgan Stanley, Citi, Credit Agricole, HSBC, XP, BNP Paribas, Banco do Brasil e Bradesco — para estruturar um novo crédito sindicalizado de US$1,2b, com possibilidade de expansão para até US$1,4b. A operação tem a CSN Inova Ventures como tomadora, garantida pela CSN e pela CSN Cimentos Brasil, com taxa SOFR + 6% ao ano e prazo de 5A.
Os recursos serão destinados ao refinanciamento de dívidas existentes, inserindo-se no programa estruturado de desinvestimento de ativos anunciado em jan/26. A operação busca antecipar parte dos recursos esperados com as vendas de ativos, suportando o reperfilamento de dívidas de curto e médio prazo. A conclusão está sujeita à assinatura dos documentos definitivos e ao cumprimento de condições precedentes usuais.
Recomendação: Manter
Preço-alvo: R$9,00
🛒 Varejo / E-commerce
BHIA3 | Casas Bahia fecha parceria estratégica com Amazon Brasil
O que aconteceu? A Casas Bahia firmou parceria com a Amazon Brasil para vender seus produtos no Amazon.com.br. Em uma segunda fase, a logística da Casas Bahia será integrada à rede da Amazon, ampliando capilaridade de distribuição. A companhia afirmou que o acordo deve acelerar a expansão das operações digitais e aumentar alcance de consumidores. (Valor Econômico, RI companhia)
🏦 Financeiro / Tecnologia
BPAC11 | BTG suspende Pix preventivamente após identificar atividade atípica
O que aconteceu? O BTG Pactual suspendeu temporariamente operações via Pix após identificar atividades atípicas no sistema. O banco afirmou que contas e dados de clientes não foram acessados ou expostos. Segundo O Globo, o episódio estaria relacionado a uma tentativa de ataque hacker envolvendo recursos no Pix, embora sem impacto direto aos correntistas. (Genial Investimentos, O Globo, Valor Econômico)
📡 Telecom / M&A
DESK3 | Claro compra controle da Desktop por R$ 2,41 bi
O que aconteceu? A Claro adquiriu 73,01% da Desktop, por valor base de R$ 2,41 bilhões, considerando enterprise value de R$ 4 bilhões e dívida líquida de R$ 1,58 bilhão. A transação depende de aprovação do Cade e da Anatel, e a Claro deverá realizar OPA para os acionistas minoritários. (Genial Investimentos, Valor Econômico)
⛽ Distribuição de Combustíveis
VBBR3 | Vibra pode importar combustível após redução de oferta da Petrobras
O que aconteceu? Segundo o CEO da Vibra, a Petrobras sinalizou redução da cota mensal de combustíveis para abril. A Vibra afirmou que pretende importar volumes adicionais para garantir abastecimento e atender demanda de seus clientes. (Genial Investimentos, CNN Brasil, Valor Econômico)
💻 Tecnologia
TOTS3 | Totvs aprova JCP de R$ 104,2 mi
O que aconteceu? A Totvs aprovou distribuição de R$ 104,2 milhões em JCP, equivalente a R$ 0,18 por ação. A data com será em 25 de março de 2026, com ações negociadas ex-JCP a partir de 26 de março e pagamento em 10 de abril de 2026. (Genial Investimentos, RI Totvs)
🏭 Indústria
TUPY3 | S&P rebaixa rating e vê recuperação apenas a partir de 2027
O que aconteceu? A S&P rebaixou o rating nacional da Tupy de brAA+ para brAA, com perspectiva negativa, citando volumes fracos esperados no 1S26 e picos de alavancagem no período. A agência projeta retomada de rentabilidade acima de 10% e alavancagem abaixo de 2,5x apenas a partir de 2027. (Genial Investimentos, S&P, Valor Econômico)
