
Fique por dentro das principais informações do mercado financeiro nesta quinta-feira, 05 de março.
MPF pede suspensão de trecho da ferrovia Carajás
O MPF solicitou a suspensão das operações em um trecho de 16 km da Estrada de Ferro Carajás, no Pará. A Vale informou que já apresentou manifestação inicial no processo e afirmou que, com base nas informações disponíveis, o caso não deve gerar impacto operacional relevante.
Resumo do dia
A guerra entre EUA e Israel contra o Irã entrou no sexto dia sem sinais de desescalada, mantendo os mercados em cautela diante de interrupções nos fluxos globais de energia e do risco ao Estreito de Ormuz. O Brent voltou a subir e retomou a faixa de US$ 84 o barril, após forte alta ao longo da semana, enquanto os rendimentos dos Treasuries avançam e o dólar ganha força. Países do Golfo relataram interceptações de mísseis e drones iranianos, Israel ampliou ataques a alvos militares em Teerã e a China orientou refinarias a suspender exportações de combustíveis, elevando preocupações sobre oferta global.
No Brasil, investidores acompanham a primeira fala do diretor de Política Monetária do BC, Nilton David, desde o início do conflito, em meio à redução das apostas em um corte mais agressivo da Selic. A agenda também traz taxa de desemprego, oferta de títulos prefixados pelo Tesouro e a divulgação do balanço da Petrobras após o fechamento. No noticiário corporativo, a Raízen afirmou que pode recorrer à recuperação extrajudicial, enquanto o cenário político permanece no radar com a divulgação de nova pesquisa Datafolha para presidente e governador de São Paulo.
Expresso Brasil e Mundo
Ibovespa: O Ibovespa subiu 1,24%, aos 185.366 pontos, em movimento de recuperação após o tombo superior a 3% da véspera. A melhora refletiu uma trégua na aversão a risco global, com bolsas internacionais em alta e petróleo mais estável. Mesmo assim, o conflito no Oriente Médio segue no radar e mantém a volatilidade elevada.
Juros futuros: Os juros futuros caíram ao longo da curva, com quedas superiores a 15 pontos nos vértices longos, acompanhando o recuo do dólar e o alívio global de risco após dados de atividade dos EUA acima do esperado e notícias sobre possíveis negociações para encerrar o conflito envolvendo o Irã.
Mundo: O mercado global opera sob tensão crescente com a guerra entre EUA, Israel e Irã no sexto dia de conflito sem perspectiva de resolução. As bolsas pausam a recuperação vista ontem à medida que o petróleo volta a subir, pressionando os fluxos de energia e mantendo os investidores em compasso de espera.
Minério de ferro: O minério de ferro opera em alta, avançando na bolsa de Singapura, apoiado por fluxos de mercados emergentes. No entanto, a decisão da China de fixar uma meta de crescimento do PIB menos ambiciosa desde 1991 gera incerteza sobre a demanda de médio prazo por metais industriais.
Petróleo: O petróleo opera em alta forte, com o Brent retomando níveis elevados após saltar de forma expressiva no início da semana. A escalada do conflito no Golfo Pérsico interrompe rotas de fornecimento, e tanto a China quanto o Japão adotam medidas emergenciais para conter o impacto na cadeia de abastecimento.
As principais notícias do dia 05/03/26
🏭 Mineração e Siderurgia 05/03/2026
VALE3 | MPF pede suspensão de trecho da ferrovia Carajás no Pará
O que aconteceu? A Vale informou que o Ministério Público Federal (MPF) ingressou com ação solicitando a suspensão das operações em um trecho de 16 km da Estrada de Ferro Carajás (EFC), localizado no município de Bom Jesus do Tocantins (PA). A companhia afirmou que já apresentou manifestação inicial e que apresentará sua defesa no curso do processo judicial. Segundo a Vale, com base nas informações disponíveis até o momento, o caso não representa impacto operacional relevante. A empresa reiterou ainda seu compromisso com transparência e cooperação com as autoridades, informando que manterá o mercado atualizado caso ocorram desdobramentos materiais (Vale e Genial).
Recomendação: Manter
Preço-Alvo: R$90,00
🏭 Mineração e Siderurgia 05/03/2026
VALE3 | Vale acelera preparativos para possível IPO da divisão de metais básicos
O que aconteceu? A Vale está acelerando os preparativos para um possível IPO de sua divisão de metais básicos (níquel e cobre), com potencial lançamento até meados de 2026, antecipando o cronograma anteriormente esperado para 2027. A unidade vem avançando em reestruturação interna, redução de custos, otimização da alocação de capital e desenvolvimento de projetos no pipeline. Embora ainda não haja decisão formal, a estratégia busca deixar a estrutura pronta para aproveitar condições favoráveis de mercado. O movimento é sustentado por fundamentos robustos no segmento, com o cobre acumulando alta de ~36% nos últimos 12M, enquanto a Vale mantém a meta de dobrar sua produção de cobre na próxima década (atualmente em 380Ktpa). No operacional, a divisão também apresentou melhora relevante, com EBITDA de US$1,4b no 4T (+2x a/a), reforçando o papel estratégico dos metais básicos na tese de crescimento de longo prazo da companhia (BBG e Genial).
Recomendação: Manter
Preço-Alvo: R$90,00
🥩 Alimentos (Frigoríficos) 05/03/2026
MBRF3 | Potencial benefício de curto prazo com conflito no Irã
O que aconteceu? O conflito envolvendo o Irã pode trazer benefícios de curto prazo para a MBRF, potencialmente sustentando preços e volumes mais elevados, embora riscos logísticos permaneçam caso as disrupções se prolonguem. O Oriente Médio representa ~5% da receita da companhia, mas pode atingir 8–10% do EBITDA 26E, refletindo sua crescente relevância estratégica. A companhia depende fortemente do Estreito de Ormuz como rota logística para a região, embora até o momento os impactos tenham sido limitados. Se as interrupções forem temporárias, preços domésticos mais firmes e o maior nível de estoques da companhia podem favorecer o desempenho operacional. Por outro lado, um conflito prolongado poderia elevar custos de frete e exigir rotas alternativas, pressionando margens no médio prazo (Valor e Genial).
Recomendação: Comprar
Preço-Alvo: R$23,00
🥩 Alimentos (Frigoríficos) 05/03/2026
Senado dos EUA discute projeto para dividir operações de frigoríficos
O que aconteceu? Senadores do Partido Democrata nos EUA preparam um projeto de lei que poderia obrigar frigoríficos a separar operações por tipo de proteína e potencialmente realizar vendas de ativos para reduzir a concentração do setor. A proposta surge após a alta de +24% nos preços da carne bovina nos EUA nos últimos 12M, o que aumentou a pressão política sobre a indústria. Ainda assim, a probabilidade de aprovação da medida é considerada baixa e o impacto deve ser limitado sobre os preços, que seguem mais ligados ao ciclo do gado e à oferta restrita de bovinos. Atualmente, processadores de carne nos EUA enfrentam um ambiente desafiador, com margens comprimidas e participação nos lucros da indústria ~4%, enquanto companhias como JBS, Tyson e National Beef (MBRF) registraram prejuízos operacionais em 2025. (Valor e Genial).
🏦 Financeiro 05/03/26
Revolut vai escalar operação de cartão de crédito no Brasil e lança versão premium
O que aconteceu? A Revolut afirmou que pretende escalar a operação de cartão de crédito no Brasil, ampliando gradualmente a base de clientes no país. Segundo a fintech, a estratégia será mais focada em monetização por tarifas e serviços do que na dependência excessiva de receitas de crédito. Como parte desse movimento, a empresa também lançou no Brasil uma nova versão premium do cartão, com mensalidade e benefícios adicionais, buscando aumentar a receita recorrente com assinaturas e fortalecer sua oferta para clientes de maior renda.
💻 Fintech / Expansão Internacional 05/03/26
ROXO34 (Nubank) | Compra naming rights de estádio do Inter Miami e avança em estratégia de expansão nos EUA
O que aconteceu? O Nubank (ROXO34) fechou acordo para aquisição dos naming rights do estádio do Inter Miami, clube de Lionel Messi, em um movimento que a companhia descreve como uma “parceria de longo prazo”. O logotipo do banco aparecerá nas camisetas do time a partir de agosto de 2026. O acordo ocorre após o Nubank obter, em janeiro, aprovação condicional para uma licença bancária nos Estados Unidos, sinalizando que a empresa avança em sua estratégia de entrada no mercado americano. A ação, que não tem recomendação da Genial na lista de tickers (preço-alvo zerado), busca aumentar sua visibilidade em um dos mercados mais competitivos do mundo. (Bloomberg Línea, Genial)
⚖️ Sistema Financeiro 05/03/26
Banco Master | STF determina nova prisão de Daniel Vorcaro e bloqueio de R$ 22 bi em bens
O que aconteceu? O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a nova prisão de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, além do bloqueio de R$ 22 bilhões em bens do grupo investigado. A medida, solicitada pela Polícia Federal, tem como objetivo interromper a movimentação de ativos do conglomerado sob investigação e preservar valores relacionados às práticas ilícitas apuradas. O caso Master, que já custou quase R$ 52 bilhões ao FGC, envolve liquidações de instituições ligadas ao grupo e segue gerando desdobramentos judiciais e regulatórios. (Bloomberg Línea, Genial)
⚡ Energia 05/03/26
RAIZ4 (Raízen) | Controladores (Cosan e Shell) abandonam conversas sobre capitalização; impasse persiste
O que aconteceu? As conversas entre os controladores da Raízen (RAIZ4) — Cosan e Shell — para uma potencial capitalização da companhia foram abandonadas, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg News. A Cosan concluiu que não seria capaz de igualar a escala do apoio financeiro que a Shell havia prometido oferecer, enquanto outras propostas apresentadas pela Cosan foram rejeitadas pela petroleira anglo-holandesa. O impasse ocorre em meio à elevada alavancagem da Raízen (acima de 5x), que tem pressionado o balanço e gerado preocupações no mercado. A empresa segue operando, mas a falta de um acordo entre os acionistas de referência adiciona incerteza sobre os próximos passos da estratégia de desalavancagem. (Bloomberg Línea, Bloomberg News, Genial)
⚡ Energia 05/03/26
RAIZ4 (Raízen) | Avalia recuperação extrajudicial e aporte de R$ 4 bi, com R$ 3,5 bi da Shell e R$ 500 mi dos Ometto
O que aconteceu? A Raízen (RAIZ4) informou que avalia pedido de recuperação extrajudicial, combinado com um aporte de R$ 4 bilhões, sendo R$ 3,5 bilhões do Grupo Shell e R$ 500 milhões da família Ometto (Cosan). O plano inclui reestruturação da dívida e possível conversão dos valores em capital. A companhia afirmou que continuará operando normalmente durante o processo.
