
Fique por dentro das principais informações do mercado financeiro nesta Sexta-feira, 23 de janeiro.
Alerta real?
Feita pelo BC, a liquidação do Will Bank, ligada ao conglomerado do Master, é considerada um caso isolado e não representa risco de contágio sistêmico. O BC atuou para conter riscos e proteger clientes. O principal impacto é pontual, via confiança, podendo pressionar instituições mais frágeis, mas sem efeito dominó.
Resumo do dia
A rotação global de portfólios segue pressionando os ativos americanos nesta sexta-feira, com futuros de Nova York em leve queda e o dólar caminhando para a pior semana em sete meses. O movimento reflete a combinação de riscos geopolíticos ainda no radar, dados à frente nos EUA — como PMIs e indicadores da Universidade de Michigan — e a expectativa pela reunião do Fomc na próxima semana. Em contraste, commodities avançam com o dólar mais fraco, enquanto mercados emergentes continuam se beneficiando do redirecionamento de fluxos globais.
No Brasil, esse pano de fundo externo favoreceu um novo rali dos ativos locais. O dólar caiu abaixo de R$ 5,29, no menor nível desde novembro, e o Ibovespa renovou máximas históricas, impulsionado por forte fluxo estrangeiro e pela busca relativa por mercados fora dos EUA. Os juros futuros acompanharam o câmbio e cederam, especialmente nos vencimentos mais longos, reforçando a leitura de que a rotação internacional segue sendo um dos principais vetores para os preços domésticos no curto prazo.
No câmbio, o Banco Central anunciou leilão de linha de até US$ 2 bilhões para segunda-feira e informou que a rolagem dos swaps que vencem em março começa em 28 de janeiro. No noticiário político, Tarcísio de Freitas confirmou candidatura à reeleição em São Paulo e remarcou visita a Jair Bolsonaro, enquanto a PF realiza operação sobre crimes contra o sistema financeiro. Também seguem no radar as novas regras do CMN para o FGC e os desdobramentos do caso Banco Master, além de movimentações corporativas e revisões de recomendação envolvendo empresas como PRIO, PetroReconcavo, Gerdau e Sabesp.
Expresso Brasil e Mundo
Ibovespa: O Ibovespa encerrou o pregão em alta de 2,2%, aos 175.589,35 pontos, caracterizando mais um dia de forte alta e continuidade do movimento de máximas, sustentado por fluxo estrangeiro robusto e pela rotação global de recursos em direção a mercados emergentes. No ambiente externo, o humor foi favorecido pelo alívio das tensões geopolíticas após declarações mais conciliatórias do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a Groenlândia e a União Europeia, ao mesmo tempo em que Wall Street fechou em terreno positivo, reforçando o apetite por risco global. No cenário doméstico, a percepção de entrada consistente de capital externo, aliada à força dos bancos e de ações de grande peso no índice, seguiu como principal vetor do movimento, em um pregão de volume elevado. O dólar comercial voltou a recuar frente ao real, enquanto os juros futuros cederam ao longo da curva, ampliando o suporte aos ativos locais.
Juros futuros: Os juros futuros caíram ao longo da curva, revertendo a pressão inicial, na esteira do alívio no câmbio, apesar da alta dos yields externos após dados fortes nos EUA, com o movimento também favorecido pela absorção do maior volume de NTN-F no leilão do Tesouro.
Mundo: Mercados globais operam de forma mista, com leve baixa nos ativos americanos e desempenho mais resiliente em emergentes, refletindo rotação de portfólios, incertezas geopolíticas, expectativa pela agenda de dados nos EUA e percepção de política monetária menos restritiva à frente.
Minério: Mercado de minério apresenta alta moderada, sustentada pela melhora do sentimento global, enfraquecimento do dólar e expectativa de demanda mais firme, em um contexto de maior apetite por risco e recuperação gradual do complexo de metais industriais.
Petróleo: Preços do petróleo seguem em alta, impulsionados por dólar mais fraco e maior disposição ao risco, que compensam preocupações com excesso de oferta, enquanto o mercado avalia o equilíbrio entre demanda global e perspectivas de produção futura.
Destaque do dia
Klabin (KLBN11) | Prévia 4T25: Menor alavancagem, mesmo desconto
Esperamos números com viés de arrefecimento t/t em volumes, após um 3T25 excepcional em Papel & Embalagens, enquanto Celulose deve atuar como amortecedor relativo via preços.
→ Leia o relatório completo
Economia
Por José Marcio Camargo
Consumo robusto reforça posição de resiliência da economia dos EUA mesmo com o shutdown do governo
O índice cheio do PCE price index apresentou variação de 0,21% m/m em novembro, um pouco aquém da nossa projeção (0,25% m/m) e em linha com a expectativa do mercado (0,2% m/m, Bloomberg), enquanto a métrica em 12 meses acelerou, saindo de 2,68% a/a para 2,77% a/a, indo ao encontro do esperado por nós (2,78% a/a) e pelo mercado (2,8% a/a).
⌕ Leia o relatório completo aqui.
As principais notícias do dia 23/01/26
📈 Mercados / Fluxo de Capitais 23/01/26
IBOV | Estrangeiros injetam cerca de R$ 8,7 bi na B3 e impulsionam disparada do Ibovespa
O que aconteceu? Na sessão desta quinta-feira, investidores estrangeiros aportaram aproximadamente R$ 8,7 bilhões na B3, um movimento de compra líquida robusta que ajudou a impulsionar o Ibovespa a patamares recordes, com o índice fechando acima de 171 mil pontos pela primeira vez. O fluxo positivo foi observado sobretudo em ações de alta liquidez e grandes papéis do índice, refletindo retorno de confiança estrangeira no mercado acionário brasileiro diante de dados econômicos e desempenho corporativo favorável. (Valor e Genial)
📊 Varejo / Pets & E-commerce 23/01/26
PETZ3 / COBR3 | Cade nega recurso da Petlove contra aprovação da fusão entre Petz e Cobasi
O que aconteceu? O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) negou o recurso apresentado pela Petlove contra a decisão que aprovou a fusão entre as redes de varejo de produtos para pets Petz e Cobasi. A Petlove argumentava que a operação poderia reduzir a concorrência no setor, mas o Cade manteve sua posição de que a transação não configura prejuízo significativo à concorrência nacional, considerando as dinâmicas do mercado e a presença de outros competidores. (Valor e Genial)
🧴 Consumo Não Cíclico / Bens de Consumo 23/01/26
PGCO34 | Procter & Gamble reporta lucro de US$ 4,31 bi no 2º trimestre fiscal, queda de 7% a/aO que aconteceu? A Procter & Gamble (P&G) divulgou seus resultados do 2º trimestre do ano fiscal 2026, registrando um lucro líquido de US$ 4,31 bilhões, equivalente a uma redução de 7% na comparação anual. A retração foi atribuída a pressões de custos e investimentos em inovação e marketing, além de um ambiente competitivo que afetou margens em algumas categorias de produtos de consumo. Apesar da queda no lucro, a empresa manteve desempenho sólido em receita e reforçou seu foco em eficiência operacional e portfolio premium para sustentar crescimento no médio prazo. (Valor e Genial)
🚜 Alimentos (Frigoríficos) 23/01/26
JBSS32 | JBS pretende dobrar produção da nova fábrica na Arábia Saudita
O que aconteceu? A JBS anunciou que pretende dobrar a capacidade de produção da sua nova fábrica de processamento de carnes na Arábia Saudita, fortalecendo sua presença no mercado do Oriente Médio. A expansão faz parte da estratégia global da empresa de atender aumento de demanda por proteína animal na região, otimizar logística e acesso a mercados de exportação, e aproveitar incentivos locais. A medida também deve gerar mais empregos e ampliar integração com fornecedores regionais, contribuindo para a diversificação geográfica da JBS. (MoneyTimes e Genial)
🪙 Cripto / Mercados Financeiros 23/01/26
BTGO (NYSE) | Bitgo levanta US$ 2,128 bilhões em IPO na NYSE
O que aconteceu? A Bitgo, plataforma de serviços financeiros e custódia para criptoativos, realizou com sucesso seu IPO na Bolsa de Nova York (NYSE), arrecadando cerca de US$ 2,128 bilhões com a oferta pública inicial de ações. O valor levantado supera expectativas do mercado e destaca maior interesse institucional em empresas de infraestrutura cripto, especialmente em serviços de custódia, compliance e soluções para investidores institucionais. A estreia da Bitgo também é vista como um sinal de amadurecimento do mercado de criptoativos tradicional, com empresas desse segmento atraindo capital significativo via mercados de capitais. (Valor e Genial)
🏦 Financeiro 23/01/26
ROXO34 | Nubank supera 112 milhões de clientes e se torna 2º maior banco do Brasil
O que aconteceu? O Nubank alcançou a marca de 112 milhões de clientes no Brasil, ultrapassando o Bradesco, que registrou cerca de 110,5 milhões, e passando a ocupar o 2º lugar no ranking de instituições financeiras por base de clientes, atrás apenas da Caixa Econômica Federal (158,1 milhões), de acordo com dados do Banco Central do Brasil relativos ao 4º trimestre de 2025. (Valor e Genial)
🌏 Macro / Política Monetária Global 23/01/26
BOJ | Banco do Japão mantém juros no nível mais alto em três décadas
O que aconteceu? O Banco do Japão (BoJ) decidiu manter sua taxa básica de juros em 0,75% ao ano, o nível mais alto em cerca de 30 anos, em sua reunião de política monetária realizada nesta sexta-feira. A decisão, amplamente esperada pelos analistas, vem após o banco ter elevado a taxa em dezembro de 2025 para esse patamar, marcando um ciclo de normalização monetária após décadas de juros ultra-baixos com o objetivo de conter pressões inflacionárias e apoiar a economia. O BoJ também ajustou para cima suas projeções de crescimento econômico e inflação, projetando uma expansão mais forte do PIB real em 2025 e 2026 e mantendo a meta de inflação em torno de 2%. Apesar da manutenção da taxa, membros do comitê sinalizaram que novos aumentos serão possíveis caso os indicadores econômicos e de preços continuem evoluindo conforme esperado. (Valor e Genial)
🏦 Financeiro / Tecnologia 23/01/26
CAON34 | Capital One paga ~US$ 5,15 bi pela Brex; mercado debate valuation
O que aconteceu? A Capital One, grande banco norte-americano, anunciou a aquisição da fintech Brex por cerca de US$ 5,15 bilhões, reforçando sua estratégia de expansão em serviços digitais para empresas e startups. A transação chamou atenção do mercado pelo valuation elevado da Brex, gerando debates entre analistas sobre o preço pago, os múltiplos envolvidos e as sinergias esperadas com produtos de crédito corporativo e serviços financeiros digitais da Capital One. A operação é vista como mais um movimento de bancos tradicionais em direção à consolidação com players de tecnologia financeira para ampliar ofertas e competir com gigantes digitais. (Brazil Journal e Genial)
🏦 Financeiro 23/01/26
BBPAC11| BTG Pactual capta US$ 750 milhões em bonds de 5 anos
O que aconteceu? O BTG Pactual anunciou a emissão de bonds (títulos de dívida) no montante de US$ 750 milhões com vencimento em 5 anos, reforçando sua captação de recursos no mercado internacional de capitais. A operação faz parte da estratégia do banco de diversificar fontes de funding, alongar o perfil de dívida e capturar investidores globais, aproveitando condições favoráveis de juros no exterior. A emissão também fortalece a posição de liquidez do grupo e sustenta iniciativas de crescimento em segmentos-chave do banco. (Brazil Journal e Genial)
💻 Tecnologia / Semicondutores (BDRs/ETFs) 22/01/26
ITLC34 | Intel reporta prejuízo de US$ 591 mi no 4º trimestre de 2025
O que aconteceu? A Intel Corporation, gigante norte-americana de semicondutores, divulgou seus resultados do 4º trimestre de 2025, reportando um prejuízo líquido de cerca de US$ 591 milhões, ante um prejuízo de US$ 126 milhões no mesmo período de 2024 — indicando uma piora no resultado operacional. Apesar disso, a receita total foi de US$ 13,7 bilhões, ligeiramente acima das projeções do mercado, e o lucro ajustado por ação foi de US$ 0,15, superando as estimativas de analistas. A projeção para o 1º trimestre de 2026 aponta uma receita entre US$ 11,7 bi e US$ 12,7 bi e um prejuízo por ação de US$ 0,21, abaixo das expectativas de Wall Street, o que contribuiu para uma queda de cerca de 7% nas ações da Intel no after-hours. (Valor, Reuters e Genial)
📊 Seguros / Resseguro
IRBR3 | IRB Brasil Re tem lucro em novembro, mas desempenho levanta alertas
O que aconteceu?
O IRB Brasil Re reportou lucro líquido de R$ 27,3 milhões em novembro de 2025, mantendo o resultado positivo no mês, mas com queda de -59,3% em relação a outubro (R$ 67,1 milhões) e -58% em relação a novembro de 2024 (R$ 64,9 milhões). Os números indicam um desempenho mais fraco e volátil, especialmente quando analisados sob a ótica operacional. Principais destaques:
– Prêmios emitidos em queda, -6,7% comparação mensal e -20,2% anual, sugerindo dificuldade de crescimento da receita.
– Prêmios retidos cresceram 58,1% vs. outubro, mas ficam -20,5% abaixo do patamar de 2024, o que pode indicar postura mais conservadora ou menor capacidade de retenção de negócios.
– Resultado de underwriting de R$ 32,3 milhões, bem inferior ao observado em outubro e no mesmo mês do ano passado, sinalizando pressão sobre a rentabilidade do core business.
– Sinistralidade subiu para 63,9%, acima das comparações mensal e anual, o que pressiona margens e levanta dúvidas sobre a eficiência da subscrição.
