Do Fórum Econômico Mundial ao mercado local: o papel dos FIDCs
O debate recente no Fórum Econômico Mundial tem destacado a crescente importância de mercados de capitais capazes de complementar o sistema bancário tradicional, especialmente em contextos de juros elevados, maior aversão a risco e restrição de balanço das instituições financeiras. Nesse cenário, ganha relevância o direcionamento de capital para a economia real por meio de estruturas que combinem transparência, governança e disciplina de risco, assegurando alocação eficiente de recursos em ativos produtivos.
A ênfase em financiamento não bancário, aliada ao fortalecimento de práticas de gestão de risco e divulgação de informações, reflete a busca por um sistema financeiro mais resiliente, capaz de sustentar o crescimento econômico mesmo em ambientes de elevada incerteza.
Do ponto de vista regulatório, a Agenda Regulatória 2026 da CVM foi além dos ajustes já conhecidos na Resolução 175 e trouxe sinalizações relevantes para o médio prazo. Destacam-se, entre outros pontos, o avanço do projeto que busca simplificar ofertas públicas sem abrir mão de proteção ao investidor, e as discussões sobre maior integração entre fundos estruturados, tokenização de ativos e ambientes regulatórios experimentais, criando bases para novas formas de originação, custódia e distribuição de direitos creditórios.
Esse conjunto de fatores posiciona os FIDCs não apenas como resposta conjuntural ao crédito restrito, mas como peça estrutural de um sistema financeiro mais resiliente e alinhado às transformações discutidas no centro do debate econômico global.
Curva de Juros
Nesta semana, a curva de juros futura apresentou movimentos distintos ao longo dos vértices, com queda mais acentuada nos prazos intermediários e leve recomposição nas taxas mais longas. O comportamento reflete a avaliação de que, apesar de a inflação seguir pressionada em alguns núcleos, o cenário ainda não justifica cortes da Selic no curto prazo. Com isso, os prêmios de risco foram ajustados de forma desigual ao longo da curva, mantendo os vencimentos longos mais sensíveis à leitura de inflação persistente e à cautela quanto à política monetária. Saiba mais

Principais Notícias
Valor Econômico | FIDCs: bom momento, mas ainda longe do ápice | Nos últimos anos, os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) deixaram de ser uma alternativa de nicho para se consolidarem como um dos motores mais dinâmicos do mercado de capitais brasileiro. (…) Mas, apesar dos números robustos, a indústria de FIDCs ainda está longe de seu ápice. O que se vê é um setor em franca expansão, sustentado por fundamentos sólidos e por transformações estruturais que ampliam seu papel no financiamento da economia real.” Saiba mais
O Globo | Alta no aluguel atrai investidores para renda recorrente | “Investidores no mercado imobiliário receberam, logo após a virada para 2026, pelo menos duas notícias que confirmam o avanço do segmento como opção de investimentos para o ano que se inicia. A primeira notícia veio do Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR), medido pela FGV. Ele apontou alta média de 8,85% no valor dos aluguéis no Brasil no acumulado de 2025, superando a inflação. O Índice FipeZap trouxe a segunda notícia, apontando alta média de 6,52% no valor de imóveis usados também no ano passado (com ganho real de 2,24% acima da inflação).” Saiba mais
Capital Aberto | Brasil, o laboratório permanente de um mercado em crise | “Nos últimos anos, o Brasil se consolidou como um dos ambientes mais complexos e instigantes do mundo para investimentos em situações especiais — as chamadas Special Situations –, que normalmente acabam envolvendo operações de reestruturação empresarial (turnaround). (…) Cada choque fiscal, corporativo ou institucional obriga o mercado a improvisar soluções jurídicas e financeiras que, com o tempo, se transformam em arquitetura.” Saiba mais
Mercado Exterior
Nos Estados Unidos, os mercados passaram a incorporar maior incerteza em relação à condução da política econômica do governo americano, diante de sinais de possível endurecimento do discurso comercial e institucional. O aumento do risco de medidas mais protecionistas e de maior intervenção nas relações econômicas elevou a volatilidade dos ativos e reforçou a postura de cautela dos investidores, em um momento em que o mercado também acompanha de perto as sinalizações do Federal Reserve sobre os próximos passos da política monetária. Saiba mais
Na Zona do Euro, o ambiente de maior incerteza associado à política econômica dos Estados Unidos também entrou no radar dos investidores, especialmente pelos potenciais impactos sobre o comércio internacional e as relações transatlânticas. A perspectiva de mudanças na postura americana pode afetar o desempenho das exportações europeias e o crescimento do bloco, reforçando uma postura mais defensiva nos mercados e mantendo o Banco Central Europeu atento aos riscos externos para a atividade econômica. Saiba mais
Legislativo & Judiciário
STJ | REsp nº 2166287/PR | A 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (“STJ”) entendeu que não há prescrição intercorrente em uma ação de execução que o credor tem conduta proativa na busca de bens, ainda que infrutífera, sendo insuficiente o mero lapso temporal para sua configuração. Saiba mais
TJSP | Apelação nº 1002330-45.2024.8.26.0152 | A 7ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (“TJSP”) rejeitou pedido de rescisão e restituição de valores pagos, formulado por comprador inadimplente em contrato de compra e venda com alienação fiduciária, dado que a resolução contratual deve observar a forma prevista na Lei nº 9.514/97. Saiba mais