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Publicado em 18 de Agosto às 19:35:11

Por que o IBOV não para de cair? Risco fiscal e seus impactos no desempenho das ações brasileiras

Ibovespa teve sua máxima histórica marcada no fechamento do pregão de 07/06/2021, desde então, o principal índice do mercado brasileiro acumula uma perda de quase 10%. Interessante observar que a justificativa para tal movimento não ocorre somente de uma deterioração nos fundamentos das empresas.

Ao encerrarmos a temporada de balanços do 2° trimestre de 2021, podemos concluir que a maioria das empresas conseguiu entregar resultados que surpreenderam as estimativas do mercado. É fato que hoje, o Brasil tem conseguido vacinar sua população num ritmo acelerado, e portanto, o risco da pandemia sobre o impacto na economia e nas empresas está muito menor do que no ano passado.

Apesar de estarmos num momento de questionamentos importantes sobre a macroeconômica global (decisões sobre política monetária nos EUA e Europa, inflação global temporária ou transitória, desaceleração da economia da China), boa parte desse movimento de queda nos últimos meses pode ser justificada mais por fatores internos do que externos.

O recente noticiário político envolvendo atrito entre os três poderes, Teto de Gastos, PEC dos Precatórios, Reforma Tributária, CPI da Covid-19 que, quando somados a uma movimento de elevação da Selic no curto prazo, levaram a uma deterioração não somente de ativos de risco, mas também de produtos ligados a renda fixa, que foram penalizados pela marcação a mercado por conta da alta dos juros de longo prazo.

O gráfico abaixo mostra a correlação negativa que existe entre o desempenho do Ibovespa, do Índice de Small Caps e do contrato futuro de DI de 1 dia com vencimento em Janeiro/2029 (DI1F29)

Mesmo com uma temporada de balanços forte, a deterioração dos ativos ocorre por conta de um aumento no custo de capital e que impactou principalmente empresas de menor capitalização (Small Caps), e ações do setor imobiliário, elétrico, varejo e bancos. A justificativa para esse movimento de queda, é que o custo de capital cresceu numa velocidade superior ao crescimento dos lucros das empresas, e assim, promoveu um ajuste no mercado brasileiro.

Para aquele investidor de longo prazo e que entende os fatores de risco envolvidos, afinal a situação política segue bastante deteriorada e nos próximos anos, teremos eleições, entendemos que o mercado já apresenta boas oportunidades para alocação, desde que feita com parcimônia e em partes. Uma maneira de fazer uma avaliação de quais setores/empresas poderiam estar em níveis interessantes se dá pelo comparativo de preços em determinadas janelas de tempo.

Nesta primeira tabela temos o desempenho das ações pertencentes ao IBRA – Índice Brasil Amplo (179 empresas) entre o fechamento do dia 07/06/2021 (máxima histórica do Ibovespa) e o fechamento do dia 17/08/2021.

Nesta segunda tabela, fizemos um comparativo entre o fechamento em 23/03/2020 (mínima do Ibovespa em 2020) e o fechamento fechamento do dia 17/08/2021.

Interessante observar que existem empresas que negociam hoje a valores inferiores ao “coronacrash” ocorrido no ano passado por conta do início da pandemia da covid-19.

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