Após o comunicado que se seguiu à última reunião do Copom, que surpreendeu os investidores e analistas, ao mostrar um cenário bastante negativo para a inflação e ainda assim, reduzir a taxa SELIC em – 0,25 pontos de porcentagem, a Ata divulgada na semana passada gerou ainda mais perplexidade aos investidores.
Segundo a Ata, o problema do comunicado foi que, ao dar mais informações e transparência sobre a decisão do que o necessário, o comunicado acabou gerando mais incerteza. Na nossa avaliação, a Ata aumentou as incertezas quanto às razões pelas quais a decisão de redução da SELIC se justificaria, o que deverá gerar mais pressão sobre as expectativas para a inflação e mais desancoragem das expectativas.
Esta é a segunda vez que a decisão do Copom gera perplexidade entre os investidores. Na reunião de Maio de 2024, em uma decisão dividida na qual 5 diretores ainda indicados pelo Presidente Bolsonaro votaram por uma redução de – 0,25 p.p. e 4 diretores, que foram indicadas pelo Presidente Lula votaram a favor de redução de 0,5p.p.
Esta divisão entre os dois grupos gerou entre os investidores a percepção de que, após a mudança de quinto diretor, a maioria seria menos comprometido com a meta para a inflação. O que resultou forte desancoragem das expectativas e uma política monetária ainda mais contracionista.
Ainda que a atual composição do Comitê seja constituída por maioria de membros indicados pelo atual governo já desde 2025, as decisões foram, desde então, bastante pautadas pelo objetivo de buscar a meta de 3,0% para a inflação, o que permitiu que o Copom ganhasse bastante credibilidade.
A decisão do COPOM, o comunicado após a reunião e a Ata divulgada na semana passada, colocam em risco a credibilidade obtida ao longo deste período.
