Economia

Publicado em 23 de Junho às 18:45:07

Ata reforça comunicação dúbia do BC

Hoje, o Banco Central divulgou a ata do Copom referente à reunião da última semana, quando a Selic foi cortada em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano. O documento reforçou a percepção de uma comunicação ainda confusa por parte do Comitê, com sinais mistos sobre atividade, inflação e os próximos passos da política monetária.

Apesar de alguns trechos terem tom mais duro, especialmente ao tratar das expectativas de inflação para 2028 e do balanço de riscos, os pontos mais favoráveis a novos cortes predominaram. O Comitê reconheceu que a atividade surpreendeu positivamente no primeiro trimestre, mas também afirmou que a economia segue em trajetória de moderação. Essa combinação deixa a mensagem menos clara e suaviza a leitura mais hawk do comunicado.

Outro ponto importante foi a discussão sobre cenários alternativos para a Selic. O Copom mencionou trajetórias em que a inflação converge para a meta no início de 2028, mas sem explicar claramente qual seria esse caminho para os juros. Isso prejudica a comunicação e sugere que a trajetória esperada pelo mercado talvez não seja suficiente para cumprir o objetivo do Banco Central.

Além disso, a ata mostrou preocupação em evitar um aperto excessivo da política monetária, que poderia levar a inflação para abaixo da meta nos trimestres seguintes. Esse ponto reforça uma leitura mais dovish do documento e ajuda a manter aberta a possibilidade de mais um corte de 25 bps na próxima reunião.

Ainda assim, mantemos nossa expectativa de interrupção do ciclo em agosto. A possível queda da projeção de inflação no horizonte relevante pode abrir espaço para um novo corte, mas a continuidade da desancoragem das expectativas para 2028 deve limitar o espaço para novas reduções da Selic.

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