O CPI americano de junho trouxe uma leitura significativamente mais benigna do que o esperado, reduzindo a pressão imediata sobre o Federal Reserve. O índice cheio registrou deflação de 0,4% m/m, ante expectativa de queda de 0,1% m/m, levando a inflação em 12 meses de 4,2% para 3,5%. A surpresa positiva foi explicada principalmente pelo recuo de 5,7% m/m da energia, refletindo o arrefecimento das tensões no Oriente Médio ao longo do mês.
A composição também foi favorável no núcleo, que ficou estável em junho, abaixo da expectativa de alta de 0,2% m/m. Em 12 meses, o núcleo desacelerou de 2,9% para 2,6%, retornando ao patamar observado no primeiro bimestre do ano. O destaque ficou por conta da desaceleração de aluguéis, com o componente de shelter avançando apenas 0,1% m/m, o que contribuiu para uma leitura mais benigna da inflação de serviços, que ficou estável no mês.
Do ponto de vista de política monetária, a combinação entre um CPI mais fraco e sinais recentes de arrefecimento no mercado de trabalho reforça a avaliação de que o Fed deve manter uma postura de wait and see. A leitura de junho reduz a urgência de uma resposta mais dura, tornando mais provável a manutenção da Fed Funds rate no intervalo entre 3,50% e 3,75% a.a. na próxima reunião do FOMC e ao longo do restante do ano.
Ainda assim, avaliamos que os riscos permanecem assimétricos. Parte relevante da surpresa desinflacionária esteve associada ao alívio temporário nos preços de energia, em um contexto no qual a reversão parcial do arrefecimento do conflito na primeira quinzena de julho pode levar a alguma devolução dos ganhos na próxima leitura. Dessa forma, embora o CPI de junho corrobore nosso cenário-base de juros estáveis nos EUA até o fim de 2026, seguimos reconhecendo risco de retomada do ciclo de alta caso o conflito volte a pressionar petróleo, custos e expectativas.
