Economia

Publicado em 22 de Junho às 10:32:03

Credibilidade e expectativas

Na semana passada, o Copom decidiu reduzir a taxa SELIC em 0,25 pontos de porcentagem, apesar de, em seu comunicado, reconhecer que o cenário da inflação no Brasil se tornou mais negativo que na reunião anterior, aumento das taxas de juros longas, aumento das expectativas para a inflação, demanda crescendo acima do potencial, aumento da pressão inflacionária e uma projeção da taxa de inflação no horizonte relevante da política monetária ter saído de 3,5% para 3,7% ao ano e as políticas fiscal e parafiscal continuarem fortemente expansionistas.

Além deste cenário interno negativo, o Copom decidiu “rolar” o horizonte relevante da política monetária do quarto de 2027 para o primeiro trimestre de 2028, mesmo após decisão do banco central americano, que gerou forte valorização do Dólar no mercado financeiro internacional e em relação ao Real (o DXY voltou a ultrapassar o nível de 100 pts), o que pode estar indicando que a tendência de valorização do Real frente ao Dólar, que foi um dos principais fatores que gerou a desinflação de 2025 e no primeiro trimestre de 2026 pode estar no fim.

A reação dos investidores foi de perplexidade. O cenário indicava, na melhor das hipóteses, a manutenção da taxa SELIC em 14,50% ao ano. A única explicação é que o Copom avalia que a política monetária permanece em nível fortemente contracionista, e que o nível atual da SELIC deverá ainda ser suficiente para contrabalançar os efeitos expansionistas das políticas fiscal e parafiscal.

O problema é que o cenário descrito acima não tem se mostrado suficiente para atingir este objetivo. Após vários meses para conquistar credibilidade diante dos investidores, a decisão da semana passada poderá gerar forte perda de credibilidade do Banco Central do Brasil, dúvidas entre os investidores se a autoridade monetária efetivamente continua perseguindo a meta de 3,0% da inflação, o que deverá gerar aumento da desancoragem das expetativas, tornando o trabalho do Banco Central do Brasil de levar a inflação à meta ainda mais difícil de atingir.

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