Os dados do mercado de trabalho americano divulgados na sexta-feira, mostraram um mercado de trabalho aquecido, com geração de 172 mil empregos, contra expectativas dos analisas que apontavam para a geração de 85 mil empregos e o Jolts (número de postos de trabalho gerados no mês) atingiu 7,618 milhões em abril, contra expectativas de 6,800 milhões.
Por outro lado, o Livro Bege, uma avaliação informal feita pelos Federal Reserve distritais, indicam que “a maiorias dos distritos relatou inflação mais alta do que no relatório anterior”, “os preços aumentaram em ritmo moderado a forte no geral”, e “o custo da energia ligado à guerra foi o principal fator de pressão inflacionária”.
Diante destes dados, os investidores passaram a precificar a manutenção da taxa de juros dos títulos do Tesouro americano pelo menos até setembro e aumento da taxa de juros no máximo, uma vez em 2026, o que gerou forte reação dos mercados, com deslocamento da curva de juros para cima, valorização do Dólar tanto frente a seus pares (o DXY voltou a atingir mais de 100 pontos ao longo do pregão) quanto às moedas emergentes, e forte queda das bolsas de valores.
No Brasil, a reação foi similar: forte valorização do Dólar à vista frente ao Real, fechando A R$ 5,17 por Dólar (1,78%), deslocamento da curva de juros para cima e queda nos preços das ações. Ao mesmo tempo, os investidores passaram a antecipar a manutenção da taxa SELIC, diante da desancoragem das expectativas de longo prazo parra a inflação e dos sinais de aumento das pressões inflacionária decorrente de programas de crédito cada vez mais fortes de crédito subsidiado por parte do governo.
Com isto, maioria dos investidores passou a avaliar que o fim da redução da SELIC deverá, na melhor das hipóteses, ocorrer na reunião de agosto do COPOM, ainda que uma maioria, como nós, avalia que o COPOM deveria se antecipar e manter a SELIC constante já na reunião de junho para evitar um descolamento ainda maior das expectativas para a inflação no horizonte relevante da política monetária.
