Ontem, o Comitê de Política Monetária (FOMC) do Banco Central americano (Fed) decidiu manter a taxa de juros da economia estável, na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano. A decisão não foi unânime, com três diretores votando pelo aumento da taxa em 0,25 ponto percentual. Votaram contra a decisão a diretora Beth Hammack (Fed de Cleveland), a diretora Lorie Logan (Fed de Dallas) e o diretor Neel Kashkari (Fed de Minneapolis), enquanto nove diretores votaram pela manutenção.
A divisão entre os membros mostra a dificuldade de avaliar o comportamento da economia, devido à sua resiliência, apesar de a taxa de juros permanecer em um nível relativamente elevado para os padrões da economia americana. Soma-se a isso a incerteza sobre como as tarifas introduzidas pelo governo Donald Trump estão afetando a economia e, em especial, a taxa de inflação, além da persistência da guerra no Oriente Médio, que fez com que os preços do petróleo atingissem níveis próximos de US$ 100 por barril.
Além desses choques de oferta, o elevado nível de investimentos em Inteligência Artificial (IA), antes que seus efeitos sobre a produtividade se materializem, aumenta a demanda agregada, pressionando a inflação. Diante desse cenário bastante incerto e volátil, o presidente Kevin Warsh voltou a afirmar que o “Comitê continua resoluto em entregar a estabilidade de preços”, mas ressaltou que esse objetivo não será alcançado em pouco tempo. Vai ser necessário agir.
