Economia

Publicado em 14 de Maio às 16:59:19

Economia dos EUA segue resiliente e torna trabalho do Fed mais desafiador

As divulgações mais recentes nos Estados Unidos reforçam a leitura de que a atividade econômica segue resiliente, mesmo em um ambiente mais adverso marcado pela alta dos preços de energia e pelo aumento da incerteza em torno do conflito no Oriente Médio. Em abril, as vendas no varejo mantiveram um desempenho sólido em termos nominais com avanço de 0,5% no mês, ainda que parte importante do avanço tenha sido explicada pela alta dos preços da gasolina. O gasto com combustíveis respondeu por mais de 40% da alta do índice cheio, mas, mesmo excluindo esse efeito, o varejo continuou mostrando crescimento, enquanto o chamado grupo de controle registrou nova leitura forte, sugerindo que o consumo segue sustentado mesmo diante da deterioração do ambiente macroeconômico.

A abertura dos dados também mostrou que a resiliência não ficou restrita aos itens mais diretamente afetados pela inflação de energia. Além dos postos de combustíveis, a maior parte do avanço mensal concentrou-se em restaurantes, supermercados e varejistas não presenciais. Mais do que isso, mesmo entre as categorias mais discricionárias, os sinais de retração do consumo seguem limitados. Em nossa avaliação, esse comportamento ainda reflete o suporte vindo de restituições de imposto de renda mais elevadas e de efeitos riqueza, que têm ajudado a sustentar o gasto das famílias no curto prazo.

Em relação ao mercado de trabalho, os pedidos iniciais de seguro-desemprego seguem apontando para um quadro de pressão altista limitada sobre a taxa de desemprego. Embora tenham avançado para 211 mil na semana encerrada em 9 de maio, o número veio apenas marginalmente acima do consenso e permaneceu abaixo do nível observado no período comparável de 2025, marcando a 13ª semana consecutiva nessa condição. Ao mesmo tempo, os pedidos contínuos seguem bem abaixo dos níveis de um ano atrás, indicando que, apesar do aumento de anúncios de cortes em alguns segmentos, especialmente em tecnologia, as demissões agregadas permanecem contidas.

Em síntese, os dados de atividade seguem apontando para a resiliência da economia americana, mesmo diante de um cenário adverso gerado pelo conflito no Oriente Médio. Esse quadro tende a pressionar a condução da política monetária nos próximos meses, uma vez que a combinação entre consumo firme, mercado de trabalho ainda ajustado e preços de energia mais elevados dificulta a convergência da inflação e reduzindo cada vez mais o espaço para novos cortes ao longo das próximas reuniões.

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