No dia de ontem, o IBGE divulgou o IPCA-15 de abril, prévia da inflação oficial do mês. A leitura reforça a mensagem observada no primeiro trimestre do ano: sinais mistos, mas com pontos de deterioração na margem. O índice avançou 0,89% m/m, 0,10 p.p. abaixo da nossa projeção e abaixo do piso das estimativas de mercado (0,90% m/m, Broadcast+). Em 12 meses, a alta acumulada foi de 4,37%. Apesar da surpresa baixista em relação às expectativas, dois pontos apontam para um qualitativo menos favorável.
O primeiro é a composição do dado. Como de costume, o desvio do dado realizado do IPCA-15 em relação a expectativa dos analistas é alto. A explicação para esse desvio está nos itens voláteis e pouco previsíveis (como passagens aéreas e itens de higiene pessoal). Assim, para uma leitura menos contaminada por ruídos, é melhor focar no comportamento dos núcleos e dos principais vetores de desinflação. Nesse sentido, a surpresa baixista refletiu itens que pouco dizem sobre a dinâmica inflacionária ainda que alguns componentes relevantes de alimentação tenham acelerado menos do que o esperado. Por outro lado, grupos mais sensíveis à demanda e ao mercado de trabalho mostraram deterioração, assim como bens industriais, grupo que, ao lado de alimentação, havia contribuído para a desinflação observada em 2025. Essa leitura é reforçada pelos núcleos, cuja média veio pior, refletindo a piora em quatro dos cinco núcleos monitorados pelo Banco Central.
O segundo ponto é como essa mensagem se traduz para o cenário econômico. Um dado ruim isolado poderia ser apenas ruído, mas o IPCA-15 corrobora a deterioração na margem já observada ao longo do primeiro trimestre. Assim, diante da persistência desse comportamento e do aumento da incerteza associado ao conflito no Oriente Médio, esperamos que o Banco Central corte a Selic em 0,25 p.p. na reunião do Copom de hoje e reduza o ritmo de flexibilização, levando a taxa para 13,25% ao final de 2026.
