Os dados mais recentes de PNAD e CAGED reforçam a leitura de que o mercado de trabalho brasileiro segue apertado. Pela PNAD, a taxa de desemprego caiu para 5,8% no trimestre móvel encerrado em abril, abaixo da nossa expectativa de estabilidade em 6,1% e no menor nível da série para o período. Na série com ajuste sazonal, a taxa também recuou, de 5,57% para 5,48%. Já o CAGED registrou criação líquida de 85,9 mil vagas formais em abril, abaixo do esperado, mas ainda acumulando 681,8 mil postos no ano e 1,6 milhão em 12 meses.
As demais métricas seguem apontando para um mercado de trabalho robusto. A população ocupada avançou 1,1% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto a população desocupada recuou 11,3%. Além disso, o rendimento médio real habitual cresceu 5,4% a/a e a massa de rendimento real avançou 6,5% a/a, permanecendo próxima do nível recorde.
No CAGED, os indicadores de aperto mostraram algum arrefecimento na margem, mas ainda em patamar elevado. A média móvel trimestral da razão entre salários de admissão e demissão recuou para 95,9%, enquanto a média móvel trimestral da taxa de pedidos de desligamento voluntário caiu para 36,9%.
Assim, apesar de sinais pontuais de moderação, o mercado de trabalho segue como fator de desconforto para o Banco Central. O desemprego historicamente baixo e o crescimento ainda elevado da renda sustentam a demanda doméstica e dificultam uma desinflação mais rápida, especialmente em serviços.
