Projeto enviado pelo governo ao Congresso, propõe o fim da jornada 6 dias de trabalho e 1 dia de folga por semana, apelidada jornada 6 x 1, e redução do número máximo de horas semanais de 44 para 40 horas, sem redução de salário. Cerca de 25% da força de trabalho no país tem jornada 6×1. Esta redução de número de horas trabalhadas sem redução de salário significará um aumento de 9% do custo da hora trabalhada deste grupo de trabalhadores.
Porém, a promessa de reduzir a jornada e a escala sem reduzir os salários, não depende da lei, mas do comportamento das empresas e dos trabalhadores. As empresas que têm poder de mercado, irão aumentar seus preços para manter suas margens de lucros. Isto significa que os salários nominais podem até permanecer constantes, mas o aumento do custo da hora trabalhada vai, pelo menos em parte, ser repassado para os preços, aumentar a taxa de inflação e reduzir os salários reais.
Como o mercado de trabalho está apertado, com taxa de desemprego pequena, os trabalhadores terão poder de barganha nas negociações coletivas ou individuais, irão aumentar seus salários nominais, transferir os reajustes salariais para os preços e gerar aumento da inflação. No limite, o aumento da taxa de inflação pode inclusive forçar o Banco Central a aumentar a taxa de juros.
As empresas que não conseguirem repassar o aumento de custo e passarão a dar prejuízo, fecharão suas portas e demitirão seus trabalhadores ou colocarão parte de seus trabalhadores na informalidade, para manter parte de seus lucros.
